A VIAGEM

IMG_8541Saímos de Fortaleza em torno de 14:30 do sábado, dia 10. O dia D. O dia marcado, contado, ansiado, planejado e temido. Após todas as despedidas e o carinho de diversos familiares que foram nos levar ao aeroporto, de amigos que forma, mesmo na véspera, se despedir de nós.

Antes de sair, um aborrecimento, para selar a despedida. A TAM cobrou mais caro e ao que me consta, diferente do que tinha no site por uma mala extra. Diferente também pelo transporte de um cachorro pequeno na cabine.  Esse transporte no trecho Fortaleza-Brasília, parte inicial de nosso voo, saiu BEM mais caro que de Brasília a San Francisco, uma distância consideravelmente maior e mais complexa. Com conexão e alfândega a fazer. O próprio pessoal da TAm divergia na hora da cobrança. Mas, apesar da raiva, pagamos.

No voo, o cachorro, eventualmente estressado, latia um pouco. Tivemos que tirá-lo do case e colocar no colo. Escondido por um cobertor, já que a TAM oficialmente não permitia.

Em Brasília, tempo livre antes do voo. Uma voltinha pela cidade, para mostrar a minha mãe e meus filhos a obra de Niemeyer. Na catedral, fomos abençoados. Haverá de dar certo…

Então, o voo da Delta. Uma pessoa no balcão de atendimento disse que se o cachorro latisse demais, poderia ser impedido de viajar. O que, a essas alturas do campeonato, seria uma tragédia. Tal afirmação foi suficiente para deixar Daniela apavorada o tempo todo. O tranquilizante que levamos para o Anakin teria que ser dado a ela… mas não foi preciso. A tensão inicial foi dirimida por um comissário de bordo americano que disse que não teria problema.

Fomos… e chegamos em Atlanta. Muitas malas tiradas. Alfândega. Uma tradicional rechecagem de meu nome (tenho um homônimo que não fez coisa certa e toda vez em aeroportos americanos eles me mandam para uma salinha e rechecam meus dados).

Anakin – que a força esteja com você

Nunca havia tido cachorro. Minha mãe nunca gostou e nos influenciou a esse respeito, sobre o trabalho que dava etc. Já Daniela sempre teve. Casamos, tivemos filhos. E a ideia de ter um cachorro foi adiada. Embora eu confesso que tinha essa curiosidade.

Um belo dia, decidimos embarcar nessa. Compramos um filhote de maltês. Pequenininho, branquinho.  Ao Léo, meu filho, o mais resistente a isso, foi dado o direito de escolher um nome para ele. Por ser fã de Star Wars, escolheu Anakin. Um nome simpático, desde que fique no ‘lado certo da força’.

Virou membro da família. Mansinho, calmo, dado, carinhoso. Fantástico. E agora vamos levá-lo também a experiência internacional.

Mas aqui também, nada é fácil. Como já disse em outros posts, as informações são desencontradas. E as regras, algumas, chegam a ser absurdas. Se ele for em canil (porta cão) no portão, em algumas empresas, se a temperatura NO DIA do voo, nas cidades em que se tem escala estiver muito alta ou muito baixa, eles se recusam a levar. Difícil contar com uma insegurança dessas. Para ir a cabine, conosco, algumas levam, outras não. Cobram taxa, ora fixa, ora variável de acordo com o peso.

Há dimensões máximas do porta cão. Claros, que muda de acordo com a empresa. E há uma regra estranha, de que não levam cachorros de raça com focinho curto (boston terrier, boxer, buldogue, cavalier king charles spaniel, chow chow, dogue de bordeaux, grifon de bruxelas, lhasa apso, pequinês, pug e shih tzu). E outra, que diz que na cabine, só pedem ir no máximo 7 cães por voo. Como a gente vai saber???

Não é fácil. Mas não é impossível. Nem adiantaria colocar aqui a via crucis. Ou “via Canis” toda. Mas, com pesquisa, teimosia e determinação, dará certo.

Ah, e os americanos criaram um companhia aérea muito boa para levar animais. O nome é PET AIRWAYS (http://www.petairways.com/). O problema é que só voa nos EUA.  E só leva animais. Os donos não entram…

 

“Vamos embora companheiro, vamos!

Eles estão por fora do que eu sinto por vc.

Me dê sua pata peluda vamos passear, sentir o cheiro da rua.

Me lamba o rosto meu querido lamba, e diga que também vc me ama

Eu quero ver seu rabo abanando, vamos ficar sem coleira”

Vida de Cachorro – Mutantes

 

O voo

A distância em voo para os EUA, considerando as diversas opções que existem, mesmo saído de Fortaleza, não é tão grande. Porém os EUA são um país grande, e a costa oeste, onde fica San Francisco, é muito mais longe do Brasil. Isso significa que há pouca oferta de voos. E eles duram muito. E são mais caros, que o batido destino de Miami. E que há pouquíssima promoção para lá. Isso pode mudar, mas por enquanto não mudou.

De Fortaleza não há atualmente voos diretos para os EUA. Há com escala em Belém e Manaus.  Ou por SP, por BSB, por Recife, mais perto. Mas, para cidades da costa leste ou próximas (SP tem mais ofertas, mas descer até SP é tempo…).

Quando fomos, usamos o recente voo da Lan (FOR-SP-LIMA-SF). Ótimo. Porém longo. O horário dele atualmente mudou. E seus preços são sempre altos em comparação com outras opções. Pela American temos FOR-REC-MIA-SF. Pela Delta, FOR-BSB (ou SP, ou GIG)-Atlanta-SF. Pela United  temos FOR-SP-Houston (ou JFK)-SF. Sempre longos, sempre longe. A TAM não dá opção.  Fazer o que?

Optamos pela Delta, por uma série de razões. Dentre as quais, como já mencionamos, a escala em Atlanta, onde temos parentes queridos, e a facilidade de levar o cachorro na cabine. E o preço era razoável.

Será FOR-BSB (escala de 3h) – Atlanta (escala – solicitamos – de 10h, para parar e descansar na casa da Camille) – SF.

 

 

“Sou mais ligeiro que um carro,
Corro bem mais que um navio.
Sou o passarinho maior
Que até hoje você na sua vida já viu.

Vôo lá por cima das nuvens,
Onde o azul muda de tom.
E se eu quiser ultrapasso fácil
A barreira do som”.

O avião –Toquinho