Atlanta

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Bem vindos aos EUA. Chegamos, embora não ainda em San Francisco. Em Atlanta, fomos recebidos pela Camille, que nos levou para casa, com tempo para um café da manhã e uma esperada manhã de dormida para refazimento das forças. Aninha e Léo brincaram com as primas, e Anakin com Laila, uma cachorrinha também da raça maltês. Laila é mais nervosinha e late mais que Anakin. E é uma graça. Apesar do sono, foi bom reencontrar Camille, Raul, Liv, Julie e Risô. E descansar.

 

Almoçamos num restaurante mexicano muito bom, e Leo teve o esperado reencontro com as porções gigantescas de comida e refrigerantes dos EUA. Devemos nos acostumar com elas e nos preparar!

No final do dia, nosso voo para San Francisco. Mais leves, descansados e ambientados. Ainda teria muito trabalho á frente.

A VIAGEM

IMG_8541Saímos de Fortaleza em torno de 14:30 do sábado, dia 10. O dia D. O dia marcado, contado, ansiado, planejado e temido. Após todas as despedidas e o carinho de diversos familiares que foram nos levar ao aeroporto, de amigos que forma, mesmo na véspera, se despedir de nós.

Antes de sair, um aborrecimento, para selar a despedida. A TAM cobrou mais caro e ao que me consta, diferente do que tinha no site por uma mala extra. Diferente também pelo transporte de um cachorro pequeno na cabine.  Esse transporte no trecho Fortaleza-Brasília, parte inicial de nosso voo, saiu BEM mais caro que de Brasília a San Francisco, uma distância consideravelmente maior e mais complexa. Com conexão e alfândega a fazer. O próprio pessoal da TAm divergia na hora da cobrança. Mas, apesar da raiva, pagamos.

No voo, o cachorro, eventualmente estressado, latia um pouco. Tivemos que tirá-lo do case e colocar no colo. Escondido por um cobertor, já que a TAM oficialmente não permitia.

Em Brasília, tempo livre antes do voo. Uma voltinha pela cidade, para mostrar a minha mãe e meus filhos a obra de Niemeyer. Na catedral, fomos abençoados. Haverá de dar certo…

Então, o voo da Delta. Uma pessoa no balcão de atendimento disse que se o cachorro latisse demais, poderia ser impedido de viajar. O que, a essas alturas do campeonato, seria uma tragédia. Tal afirmação foi suficiente para deixar Daniela apavorada o tempo todo. O tranquilizante que levamos para o Anakin teria que ser dado a ela… mas não foi preciso. A tensão inicial foi dirimida por um comissário de bordo americano que disse que não teria problema.

Fomos… e chegamos em Atlanta. Muitas malas tiradas. Alfândega. Uma tradicional rechecagem de meu nome (tenho um homônimo que não fez coisa certa e toda vez em aeroportos americanos eles me mandam para uma salinha e rechecam meus dados).

Partindo…

Tudo isso foi escrito antes de irmos. Agora, é a hora. A partir de amanhã, estaremos em território americano. Foram bonitos os preparativos. Foram boas as despedidas. É grande a expectativa. Espero que toda a preparação não tenha estragado as surpresas. Acho que tudo valoriza a experiência, ao invés de desvalorizá-la. Até por que os preparos minimizam os aborrecimentos e as frustrações. Sem, claro, eliminá-los.

 

Fui (fomos..)

Que mundo é esse que ninguém entende um sonho? [Longe de você- Chalie Brown Jr]

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O que levar. O que deixar. O que vender. O que doar. Amigos & armazenagem

Começando pela metáfora,  em momentos de ruptura, de sacudida, a gente revê a vida. As ações passadas, o que foi feito até hoje, os planos futuro. O que construímos. O que ainda vamos construir. Como melhorar.  O que sobra em nossa vida…

E  uma mudança física, de fato, e dessa magnitude, é bom rever também o próprio lado material mesmo. Poderemos levar pouca coisa, claro, considerando os limites internacionais de bagagem. Nos EUA produtos são mais baratos. Isso contribui para a ideia do descarte.

Aí, a gente vê quanta coisa tem em casa. Que não usa. Que nunca vai usar. Que pode servir a outros. Que pode ser doada. Que pode ser vendida, para fazer caixa. Assim, fizemos a classificação

Faremos um bazar, com coisas que serão vendidas e servirão para a montagem da nova casa. Outras, serão doadas. E como vamos alugar nosso apartamento daqui, mobiliado, para ajudar no aluguel de lá, muita coisa deverá ficar armazenada. O problema é: aonde?

Não há empresas que alugam espaço de armazenagem. Ou se há, não compensam os preços. Recorremos, claro, a parentes e amigos. Alguns espaços disponíveis e gentilmente cedidos serão usados por nossas caixas. Aqui, agradeço, com sempre à Mamãe, à prima Ana Lúcia e ao bom amigo Iuri.  Eles ficarão com nosso “espólio” até a volta.

Houve por alguns instantes a dúvida se deveríamos ou não alugar o apartamento daqui, mobiliado. Após ver os aluguéis de lá, a dúvida se dissipou. Foi mágico…

E para quem não viu, uma olhadinha no vídeo promocional Bazar dos Gaspar, da venda que fizemos:.

“Hoje eu tô jogando tudo fora
Tudo que não presta mais
Todo o lixo que juntei
Nos meus becos e quintais”
Gentil Loucura -Skank

 

O auxílio luxuoso

Sei que o que vou dizer não é comum. Nem uma facilidade disponível a todos. Mas, teremos essa facilidade. Minha mãe  minha prima irão conosco, passar o primeiro mês com a gente. Isso, além de minimizar para elas o impacto da saudade (dos netos, da afilhada), nos ajudará muito. Poderemos sair para pesquisar casa, carros, tirar carteira de habilitação, e o que for mais necessário. Vai ser bom também ambientá-las, confortá-las vendo a nossa situação e passear pela nova cidade, aproveitando a oportunidade para explorar e turistar. Minha mãe é muito ligada aos netos. A dor vai ser na volta. Mas, como é por pouco tempo, a tecnologia amenizará a distância. Com as ferramentas de hoje. Pior se fosse antes. A passagem por Atlante serve também para amenizar a distância e o desconforto da viagem.

 

“No dia em que saí de casa minha mãe me disse filho vem cá

Passou a mão em meus cabelos, olhou em meus olhos começou falar

Por onde você for eu sigo com meu pensamento sempre onde estiver

Em minhas orações eu vou pedir a Deus

Que ilumine os passos seus

Ela me disse assim meu filho vá com Deus

Que este mundo inteiro é seu”

No dia em que eu saí de casa – Zezé de Camargo

Anakin – que a força esteja com você

Nunca havia tido cachorro. Minha mãe nunca gostou e nos influenciou a esse respeito, sobre o trabalho que dava etc. Já Daniela sempre teve. Casamos, tivemos filhos. E a ideia de ter um cachorro foi adiada. Embora eu confesso que tinha essa curiosidade.

Um belo dia, decidimos embarcar nessa. Compramos um filhote de maltês. Pequenininho, branquinho.  Ao Léo, meu filho, o mais resistente a isso, foi dado o direito de escolher um nome para ele. Por ser fã de Star Wars, escolheu Anakin. Um nome simpático, desde que fique no ‘lado certo da força’.

Virou membro da família. Mansinho, calmo, dado, carinhoso. Fantástico. E agora vamos levá-lo também a experiência internacional.

Mas aqui também, nada é fácil. Como já disse em outros posts, as informações são desencontradas. E as regras, algumas, chegam a ser absurdas. Se ele for em canil (porta cão) no portão, em algumas empresas, se a temperatura NO DIA do voo, nas cidades em que se tem escala estiver muito alta ou muito baixa, eles se recusam a levar. Difícil contar com uma insegurança dessas. Para ir a cabine, conosco, algumas levam, outras não. Cobram taxa, ora fixa, ora variável de acordo com o peso.

Há dimensões máximas do porta cão. Claros, que muda de acordo com a empresa. E há uma regra estranha, de que não levam cachorros de raça com focinho curto (boston terrier, boxer, buldogue, cavalier king charles spaniel, chow chow, dogue de bordeaux, grifon de bruxelas, lhasa apso, pequinês, pug e shih tzu). E outra, que diz que na cabine, só pedem ir no máximo 7 cães por voo. Como a gente vai saber???

Não é fácil. Mas não é impossível. Nem adiantaria colocar aqui a via crucis. Ou “via Canis” toda. Mas, com pesquisa, teimosia e determinação, dará certo.

Ah, e os americanos criaram um companhia aérea muito boa para levar animais. O nome é PET AIRWAYS (http://www.petairways.com/). O problema é que só voa nos EUA.  E só leva animais. Os donos não entram…

 

“Vamos embora companheiro, vamos!

Eles estão por fora do que eu sinto por vc.

Me dê sua pata peluda vamos passear, sentir o cheiro da rua.

Me lamba o rosto meu querido lamba, e diga que também vc me ama

Eu quero ver seu rabo abanando, vamos ficar sem coleira”

Vida de Cachorro – Mutantes

 

O voo

A distância em voo para os EUA, considerando as diversas opções que existem, mesmo saído de Fortaleza, não é tão grande. Porém os EUA são um país grande, e a costa oeste, onde fica San Francisco, é muito mais longe do Brasil. Isso significa que há pouca oferta de voos. E eles duram muito. E são mais caros, que o batido destino de Miami. E que há pouquíssima promoção para lá. Isso pode mudar, mas por enquanto não mudou.

De Fortaleza não há atualmente voos diretos para os EUA. Há com escala em Belém e Manaus.  Ou por SP, por BSB, por Recife, mais perto. Mas, para cidades da costa leste ou próximas (SP tem mais ofertas, mas descer até SP é tempo…).

Quando fomos, usamos o recente voo da Lan (FOR-SP-LIMA-SF). Ótimo. Porém longo. O horário dele atualmente mudou. E seus preços são sempre altos em comparação com outras opções. Pela American temos FOR-REC-MIA-SF. Pela Delta, FOR-BSB (ou SP, ou GIG)-Atlanta-SF. Pela United  temos FOR-SP-Houston (ou JFK)-SF. Sempre longos, sempre longe. A TAM não dá opção.  Fazer o que?

Optamos pela Delta, por uma série de razões. Dentre as quais, como já mencionamos, a escala em Atlanta, onde temos parentes queridos, e a facilidade de levar o cachorro na cabine. E o preço era razoável.

Será FOR-BSB (escala de 3h) – Atlanta (escala – solicitamos – de 10h, para parar e descansar na casa da Camille) – SF.

 

 

“Sou mais ligeiro que um carro,
Corro bem mais que um navio.
Sou o passarinho maior
Que até hoje você na sua vida já viu.

Vôo lá por cima das nuvens,
Onde o azul muda de tom.
E se eu quiser ultrapasso fácil
A barreira do som”.

O avião –Toquinho

O que pensam os filhos sobre tudo isso?

Leo (12 anos)

“Papai, vai ser uma experiência boa, vou aprender inglês bem. Tenho medo que a escola tenha gangues e valentões, como eu vejo nas séries. E também das comidas que posso ser obrigado a comer. Mas sei que comem muita porcaria nos Estados Unidos, e como eu adoro essas porcarias (como batatas fritas, nachos etc), vou me dar bem. Bom que os videogames são mais baratos e tem mais modelos lá. Quero, com o que vendemos de nossas coisas, comprar o novo Wii U assim que chegar. Quero, também, passar frio.”

Ana Luíza (6 anos)

“Tô com saudade já da minha escola. Das minhas amigas. Quero ganhar uma boneca nova, já que vendemos quase todas as que eu tinha. Quero aprender inglês bem já que já estou lendo em português.”

 

Planos, planos…

As conversas familiares sobre a nova vida foram e tem sido intensas. Onde morar? Ter carro ou não? Transporte público? Como as crianças iriam à escola? Teria aquele ônibus “School Bus” amarelo, com um(a) motorista mascando chiclete e mandando as crianças entrarem? E a moradia? O “sonho americano” de uma casa sem muros, com jardim e vizinhos se cumprimentando durante o corte de grama e olhando as conquistas uns dos outros (o carro, a casa etc). O churrasco de máquina, os almoços rápidos, os seriados de TV.

Muitas referências. Mas pelo que conheço dos EUA, tudo é muito miscigenado. Não há mais padrões rígidos. Não sabemos ainda onde vamos morar exatamente, nem se será casa ou apartamento. Decidimos ter um carro, só, e morarmos em um lugar de onde eu possa ir à escola (no centro de San Francisco), de ônibus, metrô ou qualquer transporte público (no caso de lá, de BART, Caltrain ou Muni).

Por enquanto, essas são as únicas deliberações. Não são certezas. A certeza mesmo é que devemos aproveitar ao máximo a experiência. Ao máximo, seja como ela for.

“Como será amanhã?
Responda quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será
Como Deus quiser”

O Amanhã – Simone

Preparando os filhos

Como preparar os filhos para a experiência? Sabemos que por mais que haja preparo  e expectativa, a realidade é que vai “pegar”, que vai transformar. Mas é necessário que algo seja feito.

Conversar, conversamos. Explicamos o que vai ser. Referências, eles têm. De forma mais forte, o mais velho, com 11 anos. Gosta de seriados pré-adolescentes americanos. O que inclusive já o faz  ter impressões estereotipadas e dramáticas – o que é natural.

O que fazer, além disso? Reforço nas aulas de inglês. OK. História americana. Pensamos e estamos pesquisando material. Conversas em família também.

Hoje, tive uma ideia. Ver um filme que mostra a vida americana, um pouco da história deles e que diverte muito. Qual é?

Forrest Gump. Um de meus filmes preferidos. Vê-lo sob essa ótica, com Dani, na companhia do Léo foi muito bom. Não pensei, por enquanto, em outros filmes. Em outras coisas para fazer dentro de nosso limite de tempo.

Aguardo sugestões. Sei que temos que correr. O tempo está passando. “Run Forrest”.

“Pai, vem me ensina a caminhar
Presença que constrói
Teu conselho sempre sera
rumo pra seguir
Teu exemplo me guiara
Enquanto eu viver
em tudo que fizer “

Amigo e Herói – Walmir Alencar

 

 

O Plano de Preparação – com tecnologia

 

Acredito que, apesar de trabalhosa e detalhada, toda a preparação para uma mudança dessas é infinitamente menor se comparada com o que se fazia antigamente, sem os recursos tecnológicos de hoje.

Pela Internet pesquisei tudo sobre a cidade. Seus bairros, preços, tipos de moradia, escolas etc. Claro que nada se compara com estar lá pessoalmente, mas a informação básica já tenho. Pelo Facebook, entrei em uma comunidade: “Brasileiros em San Francisco”, fiz amizades virtuais e conversei com muita gente, recebendo dicas preciosas. Aliás, um destaque: a comunidade é ativa e tem muita gente boa e disposta a ajudar.  Devem existir comunidades semelhantes em outras cidades.

Descobri também um site, uma empresa, que organiza eventos e encontros de expatriados em diversas cidades do mundo. Chama-se Internations.org. Expatriados  têm necessidades semelhantes, e uma delas sempre é a de se enturmar. Muito boa a iniciativa. Para se associar basta preencher seus dados, e para ser membro especial, pagar uma taxa.

Descobri também um aplicativo chamado TRULIA (WWW.trulia.com) que se revelou sensacional para San Francisco. Ele mostra casas e apartamentos anunciados, com fotos e preço. Escolas do local, com notas da escola (dadas por diversos critérios, site www.greatschools.org) e área de abrangência geográfica, um mapa da criminalidade no local, com as últimas ocorrências e de que natureza eram, quais as comodidades que existem e até um tal “Walkability Index” – usado para medir que serviços se encontram a uma distância a pé. Gostou do imóvel? É só clicar que ele já manda email em seu nome direto para o corretor. Até o Street view do Google da rua tem. Dá para se sentir lá. Um espetáculo.

Outra coisa boa que San Francisco tem , como “capital nerd” do mundo, é o Yelp (WWW.yelp.com) . O Yelp é um site de opiniões. Simples. Que tem, acredito, em vários lugares. Mas além de ser de lá (SF), tudo em SF é resenhado á exaustão pelo Yelp. E eles muito se guiam pelas opiniões lá contidas. Até sobre lugares e condomínios para morar.

Sobre esse assunto, lugares para morar, descobri também o Berkeley Parents Network (BPN), organização  voluntária que analisa, do ponto de vista de pais responsáveis, as condições de um local para criar crianças. Para alguns americanos, eles são excessivamente críticos e neuróticos. Mas sua opinião influi e para mim, se soma a outros recursos na hora de escolher o local para morar. E para entender a cultura de lá.

“Hey, I’m on that geek, geek,
Freaking technology technique.
Yeah, I flow tight, never leak,
I’m the future with a bunch of antique”.

Geekin’ – Will.i. am

O sonho

Quem não pensa no que vai ser no futuro? Se é menino, é bombeiro, astronauta, médico, engenheiro, policial. E quem dentre os que pensam nisso (todos), tenta de alguma forma por em prática? Ou deixa “vida me levar”  para o que der?  A gente escolhe algumas coisas e se conforma com outras. Alguns lutam bravamente para dar sentido à existência. Outros esperam que a existência em si mostre esse sentido. Todos temos um pouco de cada, em muitos momentos da vida.

Como todos, também pequeno pensei no que queria ser. Dei cabeçadas. Gostei de uma área. De mais de uma. Segui-a. Consegui de certa forma progredir nela. Empreendi, arrisquei. Realizei-me muito.  Uma das coisas que sempre gostei foi de conhecer outras culturas. Me fascinava a ideia do intercâmbio –coisa que não pude fazer na  adolescência. Mas, mesmo sem ter feito, como já postei, fiz amizades e conhecidos fora. E até morei em outro estado, por 5 anos, o Rio Grande do Sul, de onde tenho as melhores lembranças e excelentes amigos.

Mas, mais velho, marido e pai, profissionalmente estabelecido, será que ainda dava para fazer o intercâmbio? De que forma?

Enquanto há vida há esperança. Havia sim.

“Há tempos tive um sonho”
Há Tempos – Legião Urbana