Ninguém é estrangeiro se todos são

As camareiras do hotel em que estávamos eram costarriquenhas ou filipinas. O gerente da concessionária de carros era iraniano. O vendedor, russo. Era filipino o instalador da At&T (conto adiante). O financeiro da concessionária era armênio, casado com uma brasileira. Uma das corretoras de imóveis era das ilhas Fiji. Chineses estão em todos os cantos aqui. Era de El Salvador um dos gerentes do hotel. Muitos indianos (inconfundíveis) na loja de móveis. Vietnamita um dos vendedores de carros. Chinesa a bancária do Citibank. Malaio o gerente do mesmo banco.

Impressiona a diversidade. Difícil acreditar no lado xenófobo dessa sociedade, se só se vê essa região. Mas nas outras vezes que aqui (nos EUA) estive, mesmo em outros lugares, só vi diversidade. Ela encanta. Ela atrai, ela impulsiona a economia e o pensamento. Não parece ser o mesmo país que exige o visto em um processo complicado. Como todos esses conseguem? Muitos claramente não tão qualificados.

Os microclimas da baía

IMG_8649Engraçado a previsão do tempo. Não tem a temperatura da cidade. Tem três: Coast, Inland e Bay. Sempre diferentes. Às vezes BEM diferentes. Dirigindo por aqui, a primeira vez que entendemos o porquê foi quando estávamos visitando apartamentos. Um dos edifícios, na localidade de Colma, pertinho do hotel, tinha um forte nevoeiro e era frio. Saindo de lá, em direção ao hotel, em San Bruno, sol e calor. Quando fomos a Walnut Creek, a temperatura era bem superior à de San Francisco e à de San Bruno. Quando dirigimos de San Bruno (onde fica o hotel) a uma residência que tinha uma garage-sale, em Daly City, a uns 10 minutos de carro, frio e neblina.

É uma baía. Tem terra e água por todos os lados. Na parte de terra, tem montanha que divide o ar que vem do pacifico do da baía. A temperatura da água do pacífico aqui é gelada por que passa uma corrente marinha que vem do Pólo. Essa corrente em contato com o ar quente forma neblina. Essa neblina esfria o ar, mas não passa da montanha. Resultado, um lado sempre com neblina, outro com sol. Um mais quente. Outro sempre ameno. Tudo isso bem pertinho. Isso se reflete no preço dos imóveis. E segundo o pessoal daqui, no humor dos habitantes de alguns lugares. E até nos apelidos depreciativos que dão, tipo “Daly Shitty” que escutei.

Dirigindo percebi claramente a neblina represada na montanha. Olhem a foto.

Domingo no Parque

IMG_8635 IMG_8673 IMG_8683 IMG_8687 IMG_8694 IMG_8695 IMG_8696 IMG_8703 IMG_8704 IMG_8706 IMG_8710No domingo, 18/ago, fomos todos ao Golden Gate Park. Dar um break na semana intensa e relaxar. Apesar do nome, não se vê a ponte de lá. Léo, nosso filho de doze anos me cobra desde a chegada uma ida ao principal cartão postal da cidade para tirar uma foto lá e postar no Facebook. Mas, ficaria para depois.

No parque, uma bela amostra da diversidade da cidade. Uma passeata de tradições indianas. Hare-krishnas, vegetarianos etc. Bonito, colorido. Diversificado.

O parque é imenso. Ficamos numa das áreas que tem playground infantil. Aliás, com brinquedos interessantes e impecavelmente mantidos. Fizemos um piquenique tranquilo e curtimos o dia de sol e calor.

No final, fomos à Golden Gate Bridge. Apesar do sol, do calor e do dia, não se via nada. Chegando perto era uma neblina tão forte que não dava sequer para saber se ali havia uma ponte. Leo ficou frustrado. Mas, foi uma boa semana. Quem espera que San Francisco tenha muitos hippies e alternativos, não se frustraria com aquela visita ao parque.

 

 

Comemorando…

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IMG_8591Foram muitos sucessos na semana. Decidimos sair e levar a todos na City, para celebrar. Fomos, claro, a um lugar bem bonito, que já conhecia: o Pier 39. Mas antes, passamos de carro por alguns outros píeres e pelo local da America’s Cup de Iatismo, que está acontecendo aqui em San Francisco e que pretendo ver um dia, em breve. Mamãe e Nora, que às vezes achavam que tínhamos desembarcado da China, dado à grande quantidade asiáticos, se deslumbraram com o local.

Passeamos, jantamos. Vimos belas vistas e teve um friozinho digno do verão em SF também. Mas foi bom. Espero termos muito mais a comemorar em breve!

 

 

 

Quem se muda quer… casa

Na terça, já tinha locais para visitar. Antes de vir, fiz pesquisa exaustiva e documentada sobre preços e locais. Na seleção, tinham que ser locais não tão distantes, claro, da escola, ou pelo menos acessíveis de BART (trem urbano). Tinha que conciliar preço, proximidade, capacidade de alojamento, comodidade também para a Dani e boas escolas para as crianças. Escolas que, como falamos aqui, dependem, no caso das públicas, e É o caso, do local de sua residência. Ou seja, muitas variáveis que tornariam impossível se fazer a reserva à distância. Começamos, pois a maratona.

Existem aqui muitos complexos de apartamentos administrados por empresas especializadas em alugar. A administração profissional traz uma séria de vantagens, como experiência e comodidades incluídas, dentre as quais o serviço de reparo e manutenção até dos eletrodomésticos que vem no AP (geladeira, lava roupas, lava louças, microondas etc).

A dúvida era entre ficar num AP desses, que apesar de tudo pode dar  a sensação de estar em um hotel, ou ir para uma casa, mas estilo “sonho americano”. Dentro, claro, das nossas possibilidades.

O primeiro que vimos, era um espetáculo. As crianças de cara ficaram fascinadas pela piscina. Pelo silencio, pelos parques, por tudo. O espaço interno, muito bom. Mas… era muito longe. Ficou na lista, mas para ser avaliado em comparação. Perguntamos muito, dessa vez, ao vivo, sobre o processo de aluguel. Nos pareceu simples.

Fomos então para a cidade de Walnut Creek. Local que chegamos a visitar em março, que muito nos recomendaram e que tem excelentes escolas. A cidade é muito bonita, agradável e mais quente que San Francisco. Lá, vimos apartamentos de empresas de aluguel, mas nenhuma casa. Cada um deles tinha seus pontos positivos e claro, negativos também.

Todos gostamos da cidade, almoçamos por lá (porções gigantescas), e a busca foi se estreitando. Na volta, pegamos grande engarrafamento. Mesmo cansados e com Jet-lag, no hotel, a busca continuou.

No dia seguinte, havia reservado uma nova visita pela Internet. Um complexo de apartamentos que parecia unir as vantagens de todos os outros que tínhamos visto. Também em Walnut Creek. Lá chegando, tudo lindo. Mas, esse sim, parecia demais com um hotel. Era muito grande. Ficamos novamente na dúvida. Vimos mais uns dois depois. Chegamos, e não saímos mais do hotel.

Chegou a quinta. Um bom dia. Tínhamos mais algumas visitas programadas. Em complexos de apartamentos. A ideia da casa estava ficando mais distante. A comodidade dos apartamentos estava vencendo a batalha. Vimos um em Daly City, local que tinham  nos dito que era sempre frio e com neblina. Nesse dia, era mesmo. Vimos outro em South San Francisco. Cidade visinha a SF. Bom, também com suas vantagens e desvantagens. Por fim, por desencargo de consciência, marcamos  visita para o complexo de apartamentos em San Bruno – quase em frente ao hotel.

Apesar da pouca distância de Daly City e South San Francisco a San Bruno, aqui fazia sol…

San Francisco Airport – SFO

Chegamos no horário. Um voo longo, de quase 5 horas. Fuso horário novo (GMT -7), quatro horas a menos que o Brasil. Muitas, muitas malas retiradas. Uma delas (emprestada) veio quebrada. Compraremos outra, Compade Ronaldo! Pedimos reembolso. Retiramos o carro alugado, uma imensa Caravan, e o “carreguei” com todas as bagagens. O povo foi de taxi. Não cabiam as malas e as pessoas.

Trouxe toda a carga para o quarto (nada demais, apenas 13 malas grandes e 6 de mão) e desabamos no hotel. Felizmente, perto do aeroporto (Staybridge Suites SFO). Boa a experiência de dirigir novamente nos EUA. Muitos viadutos (lembrei dos protestos em Fortaleza). Trânsito intenso, mas tranquilo.

Não deu para ver a cidade. Nem nada. Apenas nos adequarmos á mudança e deixar o corpo se recuperar desses meses de preparação e da curta viagem de mais de 22 horas, ao todo.

Os Aluguéis em SF

San Francisco é uma cidade famosa. Cantada em prosa e verso, querida pelos americanos. Bonita, cheia de ladeiras, com um ícone inconfundível – a Ponte Golden Gate. Com um trauma de terremotos e ameaçada permanentemente por eles. Sede de movimentos pelas liberdades civis, notadamente o movimento gay. Sede também de grandes inovações tecnológicas e do boom da Internet.

Mas há uma fama que não conhecíamos: é o local de aluguéis mais caros dos Estados Unidos. Mais caros MESMO. Em média, segundo os americanos, 170% mias caros que média do País. Isso nos fez procurar morar em cidades bem próximas de lá , e não lá mesmo.

Por que? Ora, por alguns dos motivos acima: lá não houve  crise forte, uma vez que a indústria de software não para de crescer. Que os maiores executivos e empregados de empresas como Apple, Twitter, Facebook, Google, Hp e outras moram lá.

 Aqui transcrevo o que diz o blog Pando Daily (www.pandodaily.com) : SF é um ímã para jovens do mundo todo. Vêm para lançar negócios (start-ups) e trabalhar em companhias das mais respeitadas e promissoras . Por isso a economia da cidade está bombando em diversos setores.

“Once again, San Francisco has become a magnet for the smartest, most creative young people in the world. They’re flocking to the city to launch start-ups and to work at the world’s most respected firms. Thanks to these workers and the companies and VCs that will support them, San Francisco’s economy — like that of the rest of the Bay Area — has been on a tear. Job growth is up, the real estate market is bustling, and lots of new businesses are starting up. The success is not limited to the tech industry — according to a new study, non-tech positions, including those in retail and construction, now make up three-quarters of the city’s new jobs.”

 

E por que a cidade mesmo tem 7 X 7 milhas. Uma área pequena. As construções são reforçadas por causa dos terremotos (isso encarece, dizem). Há um forte código urbano de edificações, há um bom sistema de transporte público. Sei lá. Há muitas razões. Só sei que a soma delas leva a esses preços. E empurra quem quer morar lá com a família para longe. Para cidades vizinhas. Ainda bem que o transporte é bom. E que, pela organização  americana, facilita o cálculo  do commuting (ida e volta).

Alguns comentários dizem que SF é uma cidade grande e importante que teima em ser pequena. Quer manter seu zoneamento, suas casas históricas, tem trauma de terremotos e por isso impede ou restringe ao máximo, com toda a burocracia possível, novas construções e construções altas. Alguns dizem lá que terremotos não deveriam ser impeditivo, pois se Tóquio pode ter arranha-céus, por que SF não? A solução, dizem muitos, é construir arranha céus mesmo.

Na minha opinião, se não o fizerem, os aluguéis é que vão “arranhar” mais ainda os céus. E a cidade vai se descaracterizar, com a expulsão dos alternativos e artistas para outras paragens. Sobrarão apenas os “Techies” e nerds. E a cidade da diversidade ficará um saco.

Sobre morar lá, gostei de um blog de um americano que se mudou para SF. A respeito dessa cruel característica da cidade ele é taxativo: Rent is INSANE (os aluguéis são INSANOS!). Vejamos o que ele diz:

Rent is insane.

“The first thing you’ll notice when you get here is the sticker shock on rent. This is the most expensive city to live in now and only Manhattan is in the race with them. A studio is now over $2,000 a month in most parts of the city and even with roommates you’ll end up paying $1,000-$1,500 a month for a place pretty much anywhere in town. I just looked up the building I moved into April 1, 2012 and as of January, 2013 the rent is up $700 a month for a 2 bedroom apartment”

 

“Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar”

Marvin –Titãs

A visita a San Francisco

012141182aAprovado. Interessado. Aparece feriado. E promoção. Novo voo da TAM/LAN, de São Paulo a San Francisco, via Lima. Tudo na hora certa. Resultado. Agendamos uma semana em SF, para reconhecimento. Marcada com antecedência, a viagem, deu tempo de pesquisar hotel, e ainda aproveitar as amizades virtuais no Facebook para “anunciar minha chegada”. Planejamento rigoroso e detalhado do que íamos fazer. Sim, por que fomos eu e Daniela.  De 22 a 30 de março deste ano (2013). Com feriados aqui no Ceará na segunda (25) e na sexta (29).

Esse tempo foi muito bem aproveitado. Conhecemos a cidade, a escola, alguns bairros. Com carro alugado, visitamos bairros, conversamos com moradores e corretores. Aprendemos IN LOCO sobre aspectos pitorescos do local. Vimos casas e tipos de construções. Visitamos uma escola de crianças em um dos locais que gostamos. Perguntamos como é a adaptação de uma criança estrangeira – no caso era uma Elementary School, para a Aninha, em Walnut Creek (http://www.walnutcreeksd.org/murwood) . Eles, muito profissionais e atenciosos, nos tranquilizaram a respeito.

No contato com uma corretora, visitamos uma casa para alugar. Até gostei dela. Perguntamos sobre os papéis necessários. Seria muito bom ter a casa certa quando chegássemos de vez. Mas depois descobri outras melhores e desisti de encaminhar.

O preparo foi tanto que também pelo Facebook entrei em contato com casas espíritas de lá. E na ida, marquei a visita a uma, no domingo. Até com isso nos preparamos, para não sentir falta. A casa se chama “Nosso lar Spiritist Society”, fica em San Leandro e é, claro, dirigida por brasileiros. Há outras também. Foi um momento aconchegante e bom – também por ter conhecido o pessoal de lá – e com quem, como o mundo é pequeno, temos conhecidos comuns. Como o amigo Márcio Roger Braga.

Teve um fato interessante. Era domingo, trânsito tranquilo. E na ponte entre San Francisco e Oakland (não é a Golden Gate, é a Bay Bridge), pisei mais forte no acelerador,e adivinhem: cena de filme. A polícia sai do nada, vai me seguindo e gritando no megafone para eu sair da ponte e me dirigir a um local de parada. Lá, eu ia saindo do carro e Daniela disse: “nunca viu seriados americanos? NÃO saia do carro em hipótese alguma”.

O policial, em princípio foi grosseiro por que eu não abri o vidro quando ele empunhou o megafone (eu não sabia que tinha que fazer isso) e, por consequência, não entendi direito os comandos dele. Mas, eu, calmo, expliquei que era de fora, que não fiz por mal. Ele não me multou e amansou. Passado o susto, virei uma “lesma” na estrada. Aprendi a lição e aprendi também que o GPS informa não só a velocidade do carro, mas o limite naquele trecho. Pô, eu não sabia disso. Não viverei lá sem GPS.

Sentir a cidade dá outra visão. Grato por que pude fazer isso. Apesar de todas as facilidades da Internet, estar lá é incomparável. Descobri até os microclimas dos bairros, graças a amigos que fizemos pelo Facebook, um casal de brasileiros que mora lá há 9 anos e conhece bem tudo. Vimos  tipos de condomínios e mesmo o que eles não gostam, por exemplo, em Daly City (o fog, a neblina constante). Vimos o lado melhor da baía, como é a praia, alguns restaurantes.

E entramos pessoalmente na IKEA (www.ikea.com). A maior cadeia de lojas de móveis do mundo. Um caso de sucesso que estudei no MBA. Um espetáculo – que inspirou as nossas Tok Stok e Etna. Ver uma Ikea ao vivo não tem comparação. Em post futuro, quando estiver já lá, com certeza voltarei a falar nesta loja. E olhe que eu não sou (ou não me acho) consumista. Mas lojas de móveis e coisas para casa me agradam muito.

Ver a cidade sem a ótica de turista é outra coisa. Embora a Dani não conhecesse ainda e fomos, em alguns momentos, um pouco turistas, foi diferente.

 

“If you’re going to San Francisco

Be sure to wear some flowers in your hair

If you’re going to San Francisco

You’re gonna meet some gentle people there…”

Scott MacKenzie – San Francisco