Planos, planos…

As conversas familiares sobre a nova vida foram e tem sido intensas. Onde morar? Ter carro ou não? Transporte público? Como as crianças iriam à escola? Teria aquele ônibus “School Bus” amarelo, com um(a) motorista mascando chiclete e mandando as crianças entrarem? E a moradia? O “sonho americano” de uma casa sem muros, com jardim e vizinhos se cumprimentando durante o corte de grama e olhando as conquistas uns dos outros (o carro, a casa etc). O churrasco de máquina, os almoços rápidos, os seriados de TV.

Muitas referências. Mas pelo que conheço dos EUA, tudo é muito miscigenado. Não há mais padrões rígidos. Não sabemos ainda onde vamos morar exatamente, nem se será casa ou apartamento. Decidimos ter um carro, só, e morarmos em um lugar de onde eu possa ir à escola (no centro de San Francisco), de ônibus, metrô ou qualquer transporte público (no caso de lá, de BART, Caltrain ou Muni).

Por enquanto, essas são as únicas deliberações. Não são certezas. A certeza mesmo é que devemos aproveitar ao máximo a experiência. Ao máximo, seja como ela for.

“Como será amanhã?
Responda quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será
Como Deus quiser”

O Amanhã – Simone

Preparando os filhos

Como preparar os filhos para a experiência? Sabemos que por mais que haja preparo  e expectativa, a realidade é que vai “pegar”, que vai transformar. Mas é necessário que algo seja feito.

Conversar, conversamos. Explicamos o que vai ser. Referências, eles têm. De forma mais forte, o mais velho, com 11 anos. Gosta de seriados pré-adolescentes americanos. O que inclusive já o faz  ter impressões estereotipadas e dramáticas – o que é natural.

O que fazer, além disso? Reforço nas aulas de inglês. OK. História americana. Pensamos e estamos pesquisando material. Conversas em família também.

Hoje, tive uma ideia. Ver um filme que mostra a vida americana, um pouco da história deles e que diverte muito. Qual é?

Forrest Gump. Um de meus filmes preferidos. Vê-lo sob essa ótica, com Dani, na companhia do Léo foi muito bom. Não pensei, por enquanto, em outros filmes. Em outras coisas para fazer dentro de nosso limite de tempo.

Aguardo sugestões. Sei que temos que correr. O tempo está passando. “Run Forrest”.

“Pai, vem me ensina a caminhar
Presença que constrói
Teu conselho sempre sera
rumo pra seguir
Teu exemplo me guiara
Enquanto eu viver
em tudo que fizer “

Amigo e Herói – Walmir Alencar

 

 

O Plano de Preparação – com tecnologia

 

Acredito que, apesar de trabalhosa e detalhada, toda a preparação para uma mudança dessas é infinitamente menor se comparada com o que se fazia antigamente, sem os recursos tecnológicos de hoje.

Pela Internet pesquisei tudo sobre a cidade. Seus bairros, preços, tipos de moradia, escolas etc. Claro que nada se compara com estar lá pessoalmente, mas a informação básica já tenho. Pelo Facebook, entrei em uma comunidade: “Brasileiros em San Francisco”, fiz amizades virtuais e conversei com muita gente, recebendo dicas preciosas. Aliás, um destaque: a comunidade é ativa e tem muita gente boa e disposta a ajudar.  Devem existir comunidades semelhantes em outras cidades.

Descobri também um site, uma empresa, que organiza eventos e encontros de expatriados em diversas cidades do mundo. Chama-se Internations.org. Expatriados  têm necessidades semelhantes, e uma delas sempre é a de se enturmar. Muito boa a iniciativa. Para se associar basta preencher seus dados, e para ser membro especial, pagar uma taxa.

Descobri também um aplicativo chamado TRULIA (WWW.trulia.com) que se revelou sensacional para San Francisco. Ele mostra casas e apartamentos anunciados, com fotos e preço. Escolas do local, com notas da escola (dadas por diversos critérios, site www.greatschools.org) e área de abrangência geográfica, um mapa da criminalidade no local, com as últimas ocorrências e de que natureza eram, quais as comodidades que existem e até um tal “Walkability Index” – usado para medir que serviços se encontram a uma distância a pé. Gostou do imóvel? É só clicar que ele já manda email em seu nome direto para o corretor. Até o Street view do Google da rua tem. Dá para se sentir lá. Um espetáculo.

Outra coisa boa que San Francisco tem , como “capital nerd” do mundo, é o Yelp (WWW.yelp.com) . O Yelp é um site de opiniões. Simples. Que tem, acredito, em vários lugares. Mas além de ser de lá (SF), tudo em SF é resenhado á exaustão pelo Yelp. E eles muito se guiam pelas opiniões lá contidas. Até sobre lugares e condomínios para morar.

Sobre esse assunto, lugares para morar, descobri também o Berkeley Parents Network (BPN), organização  voluntária que analisa, do ponto de vista de pais responsáveis, as condições de um local para criar crianças. Para alguns americanos, eles são excessivamente críticos e neuróticos. Mas sua opinião influi e para mim, se soma a outros recursos na hora de escolher o local para morar. E para entender a cultura de lá.

“Hey, I’m on that geek, geek,
Freaking technology technique.
Yeah, I flow tight, never leak,
I’m the future with a bunch of antique”.

Geekin’ – Will.i. am

O sonho

Quem não pensa no que vai ser no futuro? Se é menino, é bombeiro, astronauta, médico, engenheiro, policial. E quem dentre os que pensam nisso (todos), tenta de alguma forma por em prática? Ou deixa “vida me levar”  para o que der?  A gente escolhe algumas coisas e se conforma com outras. Alguns lutam bravamente para dar sentido à existência. Outros esperam que a existência em si mostre esse sentido. Todos temos um pouco de cada, em muitos momentos da vida.

Como todos, também pequeno pensei no que queria ser. Dei cabeçadas. Gostei de uma área. De mais de uma. Segui-a. Consegui de certa forma progredir nela. Empreendi, arrisquei. Realizei-me muito.  Uma das coisas que sempre gostei foi de conhecer outras culturas. Me fascinava a ideia do intercâmbio –coisa que não pude fazer na  adolescência. Mas, mesmo sem ter feito, como já postei, fiz amizades e conhecidos fora. E até morei em outro estado, por 5 anos, o Rio Grande do Sul, de onde tenho as melhores lembranças e excelentes amigos.

Mas, mais velho, marido e pai, profissionalmente estabelecido, será que ainda dava para fazer o intercâmbio? De que forma?

Enquanto há vida há esperança. Havia sim.

“Há tempos tive um sonho”
Há Tempos – Legião Urbana