O Lixo do Condomínio

IMG_2476 IMG_9068 IMG_9148 IMG_9164 IMG_9285 IMG_9336 IMG_9337 IMG_9398 IMG_9426 IMG_9427 IMG_9429 IMG_9430Uma das coisas que tem se tornado interessantes aqui é a obrigatória passagem que fazemos sempre no lixo do condomínio. Como são muitos apartamentos por andar, cada andar tem uma “sala” de lixo, com espaços separados para orgânicos, recicláveis, caixas de papelão e outros. O bom é que quase sempre que vamos lá (e para ir à garagem ou pegar o elevador, temos que passar), tem coisas interessantes que o pessoal simplesmente deixa no lixo. E quem quiser, pega.

 

Compreensível com a abundância de bens materiais, as grandes distâncias, a pouca disponibilidade de tempo e a facilidade (e estímulo) para se comprar coisas novas.

 

Logo no dia da mudança vimos dois banquinhos legais para bancada de cozinha. Pegamos. Depois, vimos um impressora, um micro ondas, um teclado sem fio Microsoft zero na caixa, colchões, um espelho, dois gaveteiros para roupas, muitos DVDs e CDs, cabos de áudio e vídeo, um abajur estilo poste, uma churrasqueira a gás, uma TV, cabides, um casaco bonito da Polo Ralph Lauren, e contando…

 

Até uma coisa que parecia um laser pointer, mas que fazia um barulhinho estranho. Depois descobrir que era um cigarro eletrônico (muito prazer, nunca tinha nem visto.). Esse voltou para o lixo

 

Desses, pegamos muitos (os colchões foram vetados pela Dani). E sempre passamos por lá para ver as novidades. Na rua também já vimos sofás, mas um sofá não cabe na sala de lixo aqui, apesar dela ser bem grande.

 

Breve atualizaremos com as “lixo News”.

 

Primeiro dia de aula II. As impressões deles

Fomos todos (até a Vó e Tia e madrinha dela) pegar Ana Luiza. Ela saiu com cara meio de choro. E disse simplesmente que não gostou. E que se perdeu lá dentro, e que não entendeu nada. E que não comeu. Que tava com saudades do Colégio Canarinho (o anterior dela). Mas que a “tia” era boazinha. Pelo menos isso. Pedimos para ela explicar melhor essa de ter se perdido. Ela disse que brincou no playground (já pronunciou perfeitamente em inglês, com o r enrolado e as vogais bem ditas – gostei) depois do lanche e não soube voltar. Mas que o diretor achou uma pessoa que falava português e que a encaminhou. Ficamos de averiguar. E fomos pegar o Léo.

Ele saiu misterioso. Dizendo simplesmente que foi “bom”. Confessou que não almoçou por não ter dado tempo e nem saber que tínhamos pago. Na realidade, não tivemos como avisá-lo e nem deixamos dinheiro com ele. Pois o deixamos e saímos para deixar a Aninha. Mas que houve somente explicação de como seria o ano e as tarefas por parte dos professores. Que gostou de todos eles mas que não entendeu muito bem a de matemática – que falava rápido demais (depois descobrimos que ela é indiana e fala rápido mesmo, com sotaque diferente dos americanos).

No final desse dia, tinha um evento para os pais da escola do Léo. Fomos. No grande ginásio, palestra da diretora. Focou muito na disciplina, inclusive dando conselhos aos pais. Nas dificuldades da idade (a escola é para 6º, 7º e 8º ano). E na excelência acadêmica, nas mudanças daquele ano etc. Fiquei do lado do presidente (depois soube) do … San Bruno. Me falou dos eventos e já me pediu para, como voluntário, traduzir para o português uns formulários deles. Então, começou uma espécie de treinamento sobre com é o dia de uma aluno da Parkside. Fomos assistir, na ordem, aulas de dez minutos com cada professor.

Cada um tem uma sala. E os alunes devem se movimentar entre elas, levando seu material. As salas têm muitos instrumentos de ensino e todas as aulas são com powerpoints e vídeos. Os temas são também disponibilizados na interne, em um software especial. Se o aluno falta, não perde. Há muita exigência de tarefas de casa e ênfase nos prazos. Os trabalhos mostrados, feitos por alunos de outros anos eram muito bons. Se apresenta um código de conduta a todos antes. Onde se ressalta o respeito e a disciplina. Que conta ponto. Provas são 20%. Participação, entrega dos trabalhos, criatividade e outras coisas respondem pelos 80%. Nos pareceu muita coisa, mas a educação é ampla. Grupos de estudo são incentivados e atividades extra classe também. Ele pode ter, como eletivas, aulas de música – optou pela guitarra – mas como nos matriculamos faltando uma semana para inciarem-se as aulas, está sujeito à existência de vagas. Acham que vai ter, mas só se sabe na segunda semana. Terá aulas de ciências, matemática, inglês, história, tecnologia e educação física.

Cada professor explicou o programa. Os livros, as tarefas. Todos me pareceram muito bons. A todos falamos que o Leo era brasileiro, mas eles estão acostumados à diversidade. A rotina nos pareceu corrida. Entre uma aula e outra, 6 minutos para sair, pegar coisa nos armários (com cadeado de segredo) e ir para a outra. Como nos filmes. Isso também um treinamento de disciplina.

O que nos deixou meio estranhos é o fato de que cada professor apresentou uma lista de desejos (wishlist) de coisas que devem ser doadas à escola – já que não há oficialmente exigência de material. Coisas tipo lenços de papel, pinceis de quadro branco, cola, tesoura e, pasmem, créditos Itunes. Para comprar software.. Tudo discretamente. Mas não esperávamos. Voluntário, mas pedindo mesmo assim.

De qualquer forma saímos impressionados com a estrutura, e com as exigências. A sala de tecnologia era uma maravilha. A de música também. A quadra de educação física, impecável. No geral, tudo meio massificado também. O tempo dirá. Mas não sei como será uma possível atenção mais individualizada – como estávamos acostumados no espetacular Colégio Canarinho e Sapiens, em Fortaleza.

Chegamos em casa, repassamos tudo para ele. Ele, às vezes se fazendo de indiferente, dizia: já sei como é. É assim nos filmes. Vou dar conta…

O esperado, ansiado e temido primeiro dia de aula das crianças

IMG_8846 IMG_8874 IMG_8839 IMG_8843 IMG_8844 IMG_8872 Duas escolas. Relativamente perto do apartamento (tem que ser), porém um pouco distantes uma da outra. Pela idade e pela localização, Ana Luiza foi para uma elementary school e Leo para uma Middle School. Na matricula, como já falamos em outro post, foi tudo bem em ambas. Vamos de uma por uma…

Na segunda, antes do início oficial das aulas, que seria numa quarta, houve a entrega dos horários. Momento em que fomos nos, pais e o aluno à escola. Para receber orientações. Foi bom que o Leo pode ver a Parkside Middle – coisa que ainda não tinha feito.

Uma fila, rápida, para entregar um documento de vacina que estava faltando (eles nos avisaram por email após a matrícula, e vacinamos numa farmácia Walgreens). E então, fomos a um ginásio da escola para pegar outras coisas. Na entrada, um garoto bem desinibido, de cerca de 12 ou 13 anos, já aborda o Leo e faz um discurso bem estruturado, convidando a fazer parte do grêmio da escola (Student Council). Falava bem ele. Leo, em princípio não quis, mas gostou da ideia. Deixamos, claro, a critério dele. Em seguida, no ginásio, conhecemos os professores dele, que se apresentaram muito simpaticamente enquanto distribuíram material. Pública e gratuita, mas algum material pessoal era pago. Os cadeados dos armários (quem têm que ter segredos), os cadernos de cada matéria, os uniformes de educação física. Opcionalmente, o livro do ano – com fotos oficiais da turma. Quisemos esse, claro, para registrar todo o período. Recebemos o que eles chamam de planner – uma agenda. A escola arrecada também vendendo casacos oficiais com sua marca. Não obrigatórios, mas desejados pelos orgulhosos alunos. Estava lá também o presidente da PTA (Parent-Teachers Association), que participa e opina ativamente na escola,e que também promove eventos. Estava ali recrutando novos associados. Nos engajamos. Demos uma volta pela escola com o Leo e fomos embora.

Chegou o primeiro dia. Deixamos o Leo. Ele, querendo ser o tempo todo independente, dizendo que já conhecia as escolas americanas, de tanto ver Drake & Josh, Manual de Sobrevivência Escolar do Ned, Diário de um Banana e outros seriados. Quis ficar logo só. Deixamos. Não houve tempo de eu entrar lá. Fomos deixar, então, Aninha (6 anos).

Chegando na escola dela, ela bem insegura, vimos logo a lista de alunos. Era cedo ainda. Já dava para ver naquela lista uma amostra de toda a diversidade da região. Nomes ingleses, sim. Mas também espanhóis, árabes, russos e de nacionalidades não de cara identificadas. Um deles, Lucas Costa…só podia ser brasileiro. Descobrimos que era. Da turma dela.

Entramos. Ela foi (conosco) para um fila. Onde, virados para o diretor, no pátio, todos repetem um juramento à bandeira americana. Me lembrou de meus tempos de colégio. Bonito de se ver. Em seguida, entrou na sala. Uma sal de aula grande, muito aparelhada, inclusive com computadores. O lugar dela já marcado. Um crachá na mesa com o nome dela. Muitos pais apreensivos (primeiro dia de aula). Isso, muito parecido. A professora nos pede, assim como a todos os pais, para deixar a sala. Ela, ainda apreensiva, fica.

Fomos então para uma reunião na “cafeteria”, da escola. Com o diretor. Ele apresenta aos pais as mudanças no plano de estudos, aprovadas pelo governo da Califórnia, e enfatiza a necessidade da presença. Coloca que o repasse de recursos do governo à escola depende da presença, da assiduidade. E que uma falta, alem de prejudicar o aluno, prejudica e escola e a todos os colegas. Uma abordagem prática e direta. Foi bastante aplaudido quando disse que iria ficar full time naquela escola Descobrimos depois que ele antes dividia o papel de diretor com outra escola das imediações, substituindo outro, mas que esse ano ira ficar só lá. E que tem a fam de excelente diretor. Apresentou também a presidente do PTA daquela escola. Conversamos com ela. Muitas opções a considerar. Inclusive dividir carona.

Pagamos o lanche dela. Paga-se por semana. E fomos para a escola do Léo, fazer o mesmo. A grande expectativa ficou para o momento de ir buscá-los. Mas isso fica para o próximo post…

Passagens na mão

No dia da graça de 23 de maio de 2013, foi dado o passo concreto. Compramos as passagens. Com as facilidades de hoje, não parece nada demais. Comprar pela Internet é fácil, e pesquisar, pelo menos para mim, é prazeroso. Porém, com todas as particularidades de nosso caso, ficou um pouco mias complicado.Teve exaustiva pesquisa e telefonemas para várias empresas. Na maioria, o pessoal era despreparado para responder perguntas fora do convencional.  Vejamos:

    1. A passagem seria de longa duração. Tradicionalmente, passagens aéreas só valem um ano. Um ano após a data da compra ou após a ida? Os sites são pouco elucidativos a esse respeito. Descobri que algumas companhias praticam uma forma, outras, outra;
    2. Queremos levar cachorro. Por ser pequeno, bom que vá na cabine conosco. Até por que é uma longa viagem. Qual a política das empresas? Quanto cobram? O que precisa? Nisso a confusão é grande. Descobri que para levar um cão aos Estados Unidos é muito mais fácil que para trazer de lá. O Brasil é mais burocrático. Brincando um pouco, o Brasil é os EUA para os cachorros. Só falta pedir entrevista no consulado. Os EUA dão VISA WAIVER para eles. E as empresas?  As melhores são Delta e United (Não por acaso, americanas). Em outro post, detalho mais isso.
    3. Por  irmos com cão, é importante termos escalas mais demoradas no Brasil. Teremos  que fazer uma  escala.
    4. Termos companhia de familiares no período inicial. Minha mãe e prima irão e ficarão uns dias conosco, para ajudar. Para não cansar minha mãe e como elas vão voltar sozinhas, tem que ser um voo bem pensado.

Ainda teve um problema. Como minhas aulas lá começarão no dia 9 de setembro, e o governo americano diz que com o visto de estudante, devemos chegar NO MÁXIMO 30 dias antes do início das aulas, queríamos ir assim que desse. Ou seja, chegando lá dia 10 de agosto. Mas o pessoal da escola recomendou chegarmos dia 11 para evitar alguma dúvida. Sabe-se lá se o agente de imigração não sabe fazer contas e diz que chegamos antes de 30 dias. Pensamos, pensamos e resolvemos não arriscar. O bom de ir num sábado também é termos amigos para nos deixar no aeroporto. E dar uma choradinha de despedida com eles.

Em resumo, foram tantas particularidades, que acabei recorrendo a agente de viagem. No caso, fui procurar o STB (Students Travel Bureau), que tirou diversas dúvidas, nos atendeu bem e encontrou o que queríamos.

Passagens na mão. Vamos dia 10 de agosto. Um sábado. Chegaremos lá no domingo, dia 11 de agosto. Sobre essa chegada, tem mais… comentaremos futuramente.

“…To be where little cable cars

Climb halfway to the stars”

I left my heart in SF–Tony Bennet

Ele, o visto americano

Depois de recebermos os I-20. De preenchermos o interminável formulário DS 160, de marcarmos a ida ao Recife, de sermos entrevistados e voltarmos…chegaram os benditos passaportes com os vistos de estudante. De toda a família. Tudo certinho, inclusive as datas. Coisa que haviam me dito que eles erram muito. Melhor. Estava esperando por eles para comprar as passagens, e finalmente,  me sentir com algo mais concreto para uma contagem regressiva. Coisa, aliás, que já venho há algum tempo fazendo (o calendário de minha mesa de trabalho tem números minúsculos, escritos à caneta, quantos dias faltam para as férias e a semana última de preparação.

 

Após a aprovação dos vistos, eles dão dez dias para chegar. A remessa expressa (bem , não tão expressa assim) já está inclusa nas taxas pagas. Eles encaminham um email da DHL para rastrearmos os pacotes. Interessante que como todas as empresas do gênero, há um centro nacional de distribuição. O que quer dizer que um pacote postado em Recife, para Fortaleza, vai para São Paulo. E a ansiedade viaja junto.

 

Mas, chegou. Finalmente. E estava certo. Todos os posts foram feitos depois do visto chegar. Claro…

 

“…goodbye Grandma
I’m packing my dreams, in the back of my jeans
I got my VISA, damn! It ain’t come with a black card”

American Visa – Edward Prohaize Minta

A chegada dos I-20

IMG_7663Para se dar entrada no visto de estudante, é necessário que a escola onde você foi aceito mande um formulário chamado I-20. A pessoa da escola TEM que ser autorizada pelo governo norte-americano, sob pena de diversas infrações à Lei. Para a escola emitir esse documento, muitos outros devem ser enviados a ela antes. No meu caso,  não só extratos bancários, mas declarações dos bancos, assinadas pelos gerentes, atestando disponibilidade de capital. E declarações de bolsa de estudo e mais.

A escola que escolhi (e que me escolheu) é muito atenta e preparada para isso. Alunos de 135 nacionalidades estudam lá. Eles têm experiência e pessoal preparado para auxiliar neste trabalho.

Pois bem. Chegou no dia 24/04/13o I-20. Tudo certinho. Com ele na mão, poderia me cadastrar no consulado e agendar entrevista.

Mesmo já tendo o visto de turismo/negócios, e também já tendo ido algumas vezes aos EUA, eles exigem nova entrevista por que é um novo tipo de visto. E para esse, tem-se que pagar uma Taxa chamada SEVIS (Us$ 200), que serve para uma repartição de lá investigar a vida do estudante. Além de pagar também as taxas de visto, de US$ 160,00 por pessoa, para agendar entrevista,

A SEVIS só se paga uma vez, mesmo que seja um grupo (família). A outra taxa, uma por pessoa.

 

“Tem que ser selado, registrado, avaliado, rotulado

Se quiser voar (se quiser voar)…

Pra lua a taxa é alta,

Pro céu, identidade,

Mas já pro seu foguete viajar pelo universo, é preciso meu carimbo

Dando sim, sim, sim…”

Plunct, Plact, Zum – Raul Seixas

Os Aluguéis em SF

San Francisco é uma cidade famosa. Cantada em prosa e verso, querida pelos americanos. Bonita, cheia de ladeiras, com um ícone inconfundível – a Ponte Golden Gate. Com um trauma de terremotos e ameaçada permanentemente por eles. Sede de movimentos pelas liberdades civis, notadamente o movimento gay. Sede também de grandes inovações tecnológicas e do boom da Internet.

Mas há uma fama que não conhecíamos: é o local de aluguéis mais caros dos Estados Unidos. Mais caros MESMO. Em média, segundo os americanos, 170% mias caros que média do País. Isso nos fez procurar morar em cidades bem próximas de lá , e não lá mesmo.

Por que? Ora, por alguns dos motivos acima: lá não houve  crise forte, uma vez que a indústria de software não para de crescer. Que os maiores executivos e empregados de empresas como Apple, Twitter, Facebook, Google, Hp e outras moram lá.

 Aqui transcrevo o que diz o blog Pando Daily (www.pandodaily.com) : SF é um ímã para jovens do mundo todo. Vêm para lançar negócios (start-ups) e trabalhar em companhias das mais respeitadas e promissoras . Por isso a economia da cidade está bombando em diversos setores.

“Once again, San Francisco has become a magnet for the smartest, most creative young people in the world. They’re flocking to the city to launch start-ups and to work at the world’s most respected firms. Thanks to these workers and the companies and VCs that will support them, San Francisco’s economy — like that of the rest of the Bay Area — has been on a tear. Job growth is up, the real estate market is bustling, and lots of new businesses are starting up. The success is not limited to the tech industry — according to a new study, non-tech positions, including those in retail and construction, now make up three-quarters of the city’s new jobs.”

 

E por que a cidade mesmo tem 7 X 7 milhas. Uma área pequena. As construções são reforçadas por causa dos terremotos (isso encarece, dizem). Há um forte código urbano de edificações, há um bom sistema de transporte público. Sei lá. Há muitas razões. Só sei que a soma delas leva a esses preços. E empurra quem quer morar lá com a família para longe. Para cidades vizinhas. Ainda bem que o transporte é bom. E que, pela organização  americana, facilita o cálculo  do commuting (ida e volta).

Alguns comentários dizem que SF é uma cidade grande e importante que teima em ser pequena. Quer manter seu zoneamento, suas casas históricas, tem trauma de terremotos e por isso impede ou restringe ao máximo, com toda a burocracia possível, novas construções e construções altas. Alguns dizem lá que terremotos não deveriam ser impeditivo, pois se Tóquio pode ter arranha-céus, por que SF não? A solução, dizem muitos, é construir arranha céus mesmo.

Na minha opinião, se não o fizerem, os aluguéis é que vão “arranhar” mais ainda os céus. E a cidade vai se descaracterizar, com a expulsão dos alternativos e artistas para outras paragens. Sobrarão apenas os “Techies” e nerds. E a cidade da diversidade ficará um saco.

Sobre morar lá, gostei de um blog de um americano que se mudou para SF. A respeito dessa cruel característica da cidade ele é taxativo: Rent is INSANE (os aluguéis são INSANOS!). Vejamos o que ele diz:

Rent is insane.

“The first thing you’ll notice when you get here is the sticker shock on rent. This is the most expensive city to live in now and only Manhattan is in the race with them. A studio is now over $2,000 a month in most parts of the city and even with roommates you’ll end up paying $1,000-$1,500 a month for a place pretty much anywhere in town. I just looked up the building I moved into April 1, 2012 and as of January, 2013 the rent is up $700 a month for a 2 bedroom apartment”

 

“Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar”

Marvin –Titãs

A visita a San Francisco

012141182aAprovado. Interessado. Aparece feriado. E promoção. Novo voo da TAM/LAN, de São Paulo a San Francisco, via Lima. Tudo na hora certa. Resultado. Agendamos uma semana em SF, para reconhecimento. Marcada com antecedência, a viagem, deu tempo de pesquisar hotel, e ainda aproveitar as amizades virtuais no Facebook para “anunciar minha chegada”. Planejamento rigoroso e detalhado do que íamos fazer. Sim, por que fomos eu e Daniela.  De 22 a 30 de março deste ano (2013). Com feriados aqui no Ceará na segunda (25) e na sexta (29).

Esse tempo foi muito bem aproveitado. Conhecemos a cidade, a escola, alguns bairros. Com carro alugado, visitamos bairros, conversamos com moradores e corretores. Aprendemos IN LOCO sobre aspectos pitorescos do local. Vimos casas e tipos de construções. Visitamos uma escola de crianças em um dos locais que gostamos. Perguntamos como é a adaptação de uma criança estrangeira – no caso era uma Elementary School, para a Aninha, em Walnut Creek (http://www.walnutcreeksd.org/murwood) . Eles, muito profissionais e atenciosos, nos tranquilizaram a respeito.

No contato com uma corretora, visitamos uma casa para alugar. Até gostei dela. Perguntamos sobre os papéis necessários. Seria muito bom ter a casa certa quando chegássemos de vez. Mas depois descobri outras melhores e desisti de encaminhar.

O preparo foi tanto que também pelo Facebook entrei em contato com casas espíritas de lá. E na ida, marquei a visita a uma, no domingo. Até com isso nos preparamos, para não sentir falta. A casa se chama “Nosso lar Spiritist Society”, fica em San Leandro e é, claro, dirigida por brasileiros. Há outras também. Foi um momento aconchegante e bom – também por ter conhecido o pessoal de lá – e com quem, como o mundo é pequeno, temos conhecidos comuns. Como o amigo Márcio Roger Braga.

Teve um fato interessante. Era domingo, trânsito tranquilo. E na ponte entre San Francisco e Oakland (não é a Golden Gate, é a Bay Bridge), pisei mais forte no acelerador,e adivinhem: cena de filme. A polícia sai do nada, vai me seguindo e gritando no megafone para eu sair da ponte e me dirigir a um local de parada. Lá, eu ia saindo do carro e Daniela disse: “nunca viu seriados americanos? NÃO saia do carro em hipótese alguma”.

O policial, em princípio foi grosseiro por que eu não abri o vidro quando ele empunhou o megafone (eu não sabia que tinha que fazer isso) e, por consequência, não entendi direito os comandos dele. Mas, eu, calmo, expliquei que era de fora, que não fiz por mal. Ele não me multou e amansou. Passado o susto, virei uma “lesma” na estrada. Aprendi a lição e aprendi também que o GPS informa não só a velocidade do carro, mas o limite naquele trecho. Pô, eu não sabia disso. Não viverei lá sem GPS.

Sentir a cidade dá outra visão. Grato por que pude fazer isso. Apesar de todas as facilidades da Internet, estar lá é incomparável. Descobri até os microclimas dos bairros, graças a amigos que fizemos pelo Facebook, um casal de brasileiros que mora lá há 9 anos e conhece bem tudo. Vimos  tipos de condomínios e mesmo o que eles não gostam, por exemplo, em Daly City (o fog, a neblina constante). Vimos o lado melhor da baía, como é a praia, alguns restaurantes.

E entramos pessoalmente na IKEA (www.ikea.com). A maior cadeia de lojas de móveis do mundo. Um caso de sucesso que estudei no MBA. Um espetáculo – que inspirou as nossas Tok Stok e Etna. Ver uma Ikea ao vivo não tem comparação. Em post futuro, quando estiver já lá, com certeza voltarei a falar nesta loja. E olhe que eu não sou (ou não me acho) consumista. Mas lojas de móveis e coisas para casa me agradam muito.

Ver a cidade sem a ótica de turista é outra coisa. Embora a Dani não conhecesse ainda e fomos, em alguns momentos, um pouco turistas, foi diferente.

 

“If you’re going to San Francisco

Be sure to wear some flowers in your hair

If you’re going to San Francisco

You’re gonna meet some gentle people there…”

Scott MacKenzie – San Francisco

O Plano de Preparação – com tecnologia

 

Acredito que, apesar de trabalhosa e detalhada, toda a preparação para uma mudança dessas é infinitamente menor se comparada com o que se fazia antigamente, sem os recursos tecnológicos de hoje.

Pela Internet pesquisei tudo sobre a cidade. Seus bairros, preços, tipos de moradia, escolas etc. Claro que nada se compara com estar lá pessoalmente, mas a informação básica já tenho. Pelo Facebook, entrei em uma comunidade: “Brasileiros em San Francisco”, fiz amizades virtuais e conversei com muita gente, recebendo dicas preciosas. Aliás, um destaque: a comunidade é ativa e tem muita gente boa e disposta a ajudar.  Devem existir comunidades semelhantes em outras cidades.

Descobri também um site, uma empresa, que organiza eventos e encontros de expatriados em diversas cidades do mundo. Chama-se Internations.org. Expatriados  têm necessidades semelhantes, e uma delas sempre é a de se enturmar. Muito boa a iniciativa. Para se associar basta preencher seus dados, e para ser membro especial, pagar uma taxa.

Descobri também um aplicativo chamado TRULIA (WWW.trulia.com) que se revelou sensacional para San Francisco. Ele mostra casas e apartamentos anunciados, com fotos e preço. Escolas do local, com notas da escola (dadas por diversos critérios, site www.greatschools.org) e área de abrangência geográfica, um mapa da criminalidade no local, com as últimas ocorrências e de que natureza eram, quais as comodidades que existem e até um tal “Walkability Index” – usado para medir que serviços se encontram a uma distância a pé. Gostou do imóvel? É só clicar que ele já manda email em seu nome direto para o corretor. Até o Street view do Google da rua tem. Dá para se sentir lá. Um espetáculo.

Outra coisa boa que San Francisco tem , como “capital nerd” do mundo, é o Yelp (WWW.yelp.com) . O Yelp é um site de opiniões. Simples. Que tem, acredito, em vários lugares. Mas além de ser de lá (SF), tudo em SF é resenhado á exaustão pelo Yelp. E eles muito se guiam pelas opiniões lá contidas. Até sobre lugares e condomínios para morar.

Sobre esse assunto, lugares para morar, descobri também o Berkeley Parents Network (BPN), organização  voluntária que analisa, do ponto de vista de pais responsáveis, as condições de um local para criar crianças. Para alguns americanos, eles são excessivamente críticos e neuróticos. Mas sua opinião influi e para mim, se soma a outros recursos na hora de escolher o local para morar. E para entender a cultura de lá.

“Hey, I’m on that geek, geek,
Freaking technology technique.
Yeah, I flow tight, never leak,
I’m the future with a bunch of antique”.

Geekin’ – Will.i. am

O sonho

Quem não pensa no que vai ser no futuro? Se é menino, é bombeiro, astronauta, médico, engenheiro, policial. E quem dentre os que pensam nisso (todos), tenta de alguma forma por em prática? Ou deixa “vida me levar”  para o que der?  A gente escolhe algumas coisas e se conforma com outras. Alguns lutam bravamente para dar sentido à existência. Outros esperam que a existência em si mostre esse sentido. Todos temos um pouco de cada, em muitos momentos da vida.

Como todos, também pequeno pensei no que queria ser. Dei cabeçadas. Gostei de uma área. De mais de uma. Segui-a. Consegui de certa forma progredir nela. Empreendi, arrisquei. Realizei-me muito.  Uma das coisas que sempre gostei foi de conhecer outras culturas. Me fascinava a ideia do intercâmbio –coisa que não pude fazer na  adolescência. Mas, mesmo sem ter feito, como já postei, fiz amizades e conhecidos fora. E até morei em outro estado, por 5 anos, o Rio Grande do Sul, de onde tenho as melhores lembranças e excelentes amigos.

Mas, mais velho, marido e pai, profissionalmente estabelecido, será que ainda dava para fazer o intercâmbio? De que forma?

Enquanto há vida há esperança. Havia sim.

“Há tempos tive um sonho”
Há Tempos – Legião Urbana