O apelo ao consumo

Já se conhece, já se espera, já muito se falou sobre isso. Mas não deixa de chamar a atenção a imensa quantidade de estímulos ao consumo que se vê por aqui. Ao vivo e on line, para se consumir. Carros, mesmo novos, são anunciados pelas prestações, parecendo não pesar no orçamento. Estando aqui, na internet, os sistemas identificam que estamos nos EUA, e uma imensa quantidade de propaganda vem, mesmo pelo Facebook. Numa loja, quase automaticamente se fazem cadastros, e eles dão descontos bons para quem faz. Uma vez feito, pronto: Vem muita propaganda, ofertas “incríveis”, descontos impensáveis e reais.

 

É preciso um exercício de renúncia para não se submeter a isso. Pelo correio, vem muitas ofertas. No jornal, cupons. Há livrinhos de cupons à venda. E os descontos são reais. E quando se diz que é até tal dia, é mesmo. E esses cupons nos “empurram” para dentro dos estabelecimentos. Onde se recebe mais e mais estímulo.

 

Isso dá uma sensação de descartabilidade de todos os bens materiais (de fato, são mesmo). Mas isso chega a um extremo. Aqui pessoas, não só empresas, podem pedir falência. E por causa do grande estímulo às compras por impulso, tudo você pode devolver sem constrangimento. Eles nada perguntam e restituem na hora. De certa forma, isso acaba estimulando mais ainda as compras. Há inteligência por trás dessa estratégia.

 

E eles, justiça se faça, são bons vendedores. Na abordagem, no conhecimento técnico dos produtos. Poucas exceções vi. Como a lógica é o consumo, tudo gira em torno disso e é tecnicamente pensado para isso. Numa loja de colchões, tivemos uma “aula” como nunca vi, sobre todos os modelos, tipos, maciez, etc. O cara lembrava o Bubba falando sobre camarões (no filme Forrest Gump). Isso nos deu base para escolher os nossos em outra loja. E valeu. Para comprar carros, outras abordagens inteligentes.

 

Resistir é preciso. E fundamental. É impossível ser feliz com dívidas. E isso não é sustentável. Pelo menos é o que eu acho..

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O que as crianças vão comer lá? Cardápio de uma escola.

CardapioNossos filhos estão mal acostumados. Fazem pouco para se servirem e se virarem – fruto de nossa educação brasileira, superprotetora e remanescente de uma sociedade dividida e elitista.E também acostumados com a comida com sabor acentuado, além de pouco diversa, fruto do que falei no primeiro item. Crianças só comem o que gostam ou o que acham que gostam.

Essa vai ser mais uma grande vantagem da experiência que está por vir: o rompimento desses paradigmas. Nos EUA eles almoçam na escola, lá. E têm que ser autônomos, por necessidade e obrigação. Esse salto de autonomia é benefício esperado também por nós, pais. E alertado para eles desde já. Para que sofram menos e se adaptem melhor. Faz parte  do crescimento.

Mas, o receio é também de maias ainda se acostumarem com as quase inevitáveis porcarias que se come nos Estados Unidos.  E lá, o paraíso do fast food, deve-se redobrar esse cuidado. Léo já menciona,  usando esses mesmos termo, que “nos EUA as porcarias são ainda melhores que aqui”. Apesar do paradoxo da frase, espero que ele não constate isso.

Por curiosidade, pesquisamos o cardápio, aleatoriamente, de uma das escolas. Vejam o que vimos, no arquivo anexo, parece bom:

 

“$3.99 for all you can eat?

Put some food in my plate, and some Coke in my cup

Give me some chicken, franks, and fries

And you can pass me a lettuce. I’m a pass it by

So keep shoveling, (Ha!) onto my plate

Give me some sweets and lots of cake

Give me some hot Macaroni and Cheese!”

All you can eat – The Fat Boys

A visita a San Francisco

012141182aAprovado. Interessado. Aparece feriado. E promoção. Novo voo da TAM/LAN, de São Paulo a San Francisco, via Lima. Tudo na hora certa. Resultado. Agendamos uma semana em SF, para reconhecimento. Marcada com antecedência, a viagem, deu tempo de pesquisar hotel, e ainda aproveitar as amizades virtuais no Facebook para “anunciar minha chegada”. Planejamento rigoroso e detalhado do que íamos fazer. Sim, por que fomos eu e Daniela.  De 22 a 30 de março deste ano (2013). Com feriados aqui no Ceará na segunda (25) e na sexta (29).

Esse tempo foi muito bem aproveitado. Conhecemos a cidade, a escola, alguns bairros. Com carro alugado, visitamos bairros, conversamos com moradores e corretores. Aprendemos IN LOCO sobre aspectos pitorescos do local. Vimos casas e tipos de construções. Visitamos uma escola de crianças em um dos locais que gostamos. Perguntamos como é a adaptação de uma criança estrangeira – no caso era uma Elementary School, para a Aninha, em Walnut Creek (http://www.walnutcreeksd.org/murwood) . Eles, muito profissionais e atenciosos, nos tranquilizaram a respeito.

No contato com uma corretora, visitamos uma casa para alugar. Até gostei dela. Perguntamos sobre os papéis necessários. Seria muito bom ter a casa certa quando chegássemos de vez. Mas depois descobri outras melhores e desisti de encaminhar.

O preparo foi tanto que também pelo Facebook entrei em contato com casas espíritas de lá. E na ida, marquei a visita a uma, no domingo. Até com isso nos preparamos, para não sentir falta. A casa se chama “Nosso lar Spiritist Society”, fica em San Leandro e é, claro, dirigida por brasileiros. Há outras também. Foi um momento aconchegante e bom – também por ter conhecido o pessoal de lá – e com quem, como o mundo é pequeno, temos conhecidos comuns. Como o amigo Márcio Roger Braga.

Teve um fato interessante. Era domingo, trânsito tranquilo. E na ponte entre San Francisco e Oakland (não é a Golden Gate, é a Bay Bridge), pisei mais forte no acelerador,e adivinhem: cena de filme. A polícia sai do nada, vai me seguindo e gritando no megafone para eu sair da ponte e me dirigir a um local de parada. Lá, eu ia saindo do carro e Daniela disse: “nunca viu seriados americanos? NÃO saia do carro em hipótese alguma”.

O policial, em princípio foi grosseiro por que eu não abri o vidro quando ele empunhou o megafone (eu não sabia que tinha que fazer isso) e, por consequência, não entendi direito os comandos dele. Mas, eu, calmo, expliquei que era de fora, que não fiz por mal. Ele não me multou e amansou. Passado o susto, virei uma “lesma” na estrada. Aprendi a lição e aprendi também que o GPS informa não só a velocidade do carro, mas o limite naquele trecho. Pô, eu não sabia disso. Não viverei lá sem GPS.

Sentir a cidade dá outra visão. Grato por que pude fazer isso. Apesar de todas as facilidades da Internet, estar lá é incomparável. Descobri até os microclimas dos bairros, graças a amigos que fizemos pelo Facebook, um casal de brasileiros que mora lá há 9 anos e conhece bem tudo. Vimos  tipos de condomínios e mesmo o que eles não gostam, por exemplo, em Daly City (o fog, a neblina constante). Vimos o lado melhor da baía, como é a praia, alguns restaurantes.

E entramos pessoalmente na IKEA (www.ikea.com). A maior cadeia de lojas de móveis do mundo. Um caso de sucesso que estudei no MBA. Um espetáculo – que inspirou as nossas Tok Stok e Etna. Ver uma Ikea ao vivo não tem comparação. Em post futuro, quando estiver já lá, com certeza voltarei a falar nesta loja. E olhe que eu não sou (ou não me acho) consumista. Mas lojas de móveis e coisas para casa me agradam muito.

Ver a cidade sem a ótica de turista é outra coisa. Embora a Dani não conhecesse ainda e fomos, em alguns momentos, um pouco turistas, foi diferente.

 

“If you’re going to San Francisco

Be sure to wear some flowers in your hair

If you’re going to San Francisco

You’re gonna meet some gentle people there…”

Scott MacKenzie – San Francisco