Os eventos na cidade

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Um bar diferente. Uma exposição. Um show de música. Um festival indiano. Uma manifestação artística diferente. Um concerto da orquestra da China. A chegada de pinturas de Rembrandt, um loucura qualquer numa vizinhança com direito a cobertura da imprensa, uma competição gastronômica de carrinhos de comida étnica. Um evento para negócios sociais com ligação com a tecnologia, uma feira de startups, shows de improviso, megaconcertos de rock no parque, um carro-barco anfíbio que passeia pela cidade e entra na baía, com música ao vivo dentro. Uma degustação das diversas cervejarias artesanais da cidade, dentro de um barco da segunda Guerra, também com música ao vivo.

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Parece clichê. E é. Mas a quantidade de eventos que existem aqui em uma semana qualquer chega a ser quase desestimulante face à enormidade de escolhas que um indivíduo tem a fazer. Dá a impressão que tudo ao mesmo tempo agora acontece nessa cidade. A liberdade de empreender,de criar, e a diversidade natural se refletem nessa multiplicidade de opções. É o local com mais restaurantes por habitante dos EUA. Não sei se há outros superlativos. Deve ter.

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Os eventos se retroalimentam, numa espécie de “ecossistema” (adoram essa palavra aqui). Tem muita coisa interessante, humana e naturalmente nas redondezas. E tudo converge para a City (como os habitantes da Baía chamam SF). Cada coisa tem seu website. E seu ranking. E sua atratividade. Palestras do TED tem a todo momento (O Ted foi inventado aqui). Já é a capital do Social Business no mundo, dizem. O KIVA também foi criado aqui. O AirBNB,o Twitter, a Levi`s… Muita coisa.

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Há sites para eventos legais e baratos (http://sf.funcheap.com). Para modernos e descolados (www.sosh.com). Para profissionais (www.eventbrite.com), para indecisos (www.upout.com), frequentes (www.7×7.com), esportivos… um sem fim de coisas. Dá até para listar as 100 coisas para fazer em SF antes de morrer (http://www.7×7.com/arts/big-do-sf-100-things-do-you-die).

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Com essas aulas nos domingos e muitos trabalhos, ainda não vi muita coisa. Mas tem tempo.

O Método

Copiado, imitado, admirado, contestado, às vezes. Esse é o método americano de ensino superior. Muito visto em filmes. Participativo, exigente. Eletivo. Menos rígido nas escolhas. Profundo após estas terem sido feitas. Explico.

 

Organização. As três primeiras semanas de aula consistem no que eles chamam de “Toolbox”. Caixa de Ferramentas, em tradução literal. Eles explicam o que vão fazer, como vão avaliar, o que será exigido, o uso da tecnologia. A história da escola, do sistema, as políticas de imigração (estimuladas), a parte psicológica e prática de se trabalhar em grupo. Como estudar casos, e casos recentes de decisões empresarias complexas. Que lições tirar delas. Para treinar habilidades gerenciais, trazem um alto executivo de empresa local, caso de sucesso: Starbucks. E este traz um caso de um problema real da empresa, para o qual a comunidade internacional se mobiliza pelo seu caráter humanitário: uma ameaça ao café de Ruanda, hoje o principal produto de exportação daquele país africano, e esperança para um povo devastado pelo não tão distante genocídio. Não há respostas certas. Há pesquisa, insights, soluções a se tentar. Somos instigados a mergulhar no problema e apresentar caminhos. Para ouvir as apresentações dos grupos, vieram executivos da empresa que estão vivenciando e buscando soluções. Muito bom ver o engajamento e as conexões de todos em seus países, as experiências pregressas e as luzes que se lançam em busca das saídas.

 

As aulas não são todas no mesmo horário. Há uma grade, mas há espaços que a primeira vista parecem em branco. Mas são preenchidos pelas inúmeras atividades que são passadas. Muita pesquisa, reunião, ação em grupo. Tive dois domingos inteiros de aula (notaram que diminuiu a frequência de posts?). Os professores não trazem tudo mastigadinho para ser entregue. Há estímulo a essa busca. A informação é assimétrica, assim como no mundo real.

 

Há um portal na internet onde são trocados emails e entregue tarefas, trabalhos. Há um software que identifica na hora o percentual de plágio em um texto (chama-se Turnitin). Ao submeter o texto, ensaio,paper, você clica em uma caixa em que afirma ser seu trabalho original. Se não for, na hora ele identifica. Claro e bom que se tenha citações que são consideradas. Mas a originalidade é avaliada. De forma “científica”. Depois, vem a nota do professor.

 

Interessante que esse portal é complementado na informalidade pelas páginas do Facebook da escola, do curso, e o dos alunos. Que avisam e lembram das tarefas, para quem não checa o tempo todo o site. Os professores podem, e passam, tarefas pelo site. Mesmo depois da aula ter acabado. E com prazo. Lembro da postagem de um colega no Facebook (“Sinto acabar com o sábado de vocês, mas estão se lembrando que temos que entregar isso a e aquilo,  e ter lido isso e aquilo para  a aula de segunda”)? Essa eu não me lembrava. Mas deu tempo.

 

Na aula, fala-se muito. O professor tem o domínio, mas pede insights, complementos. Quem já viu a “Sociedade dos Poetas Mortos”? É mais ou menos aquele estilo de aula participativa. No início, falam mais os de língua nativa (menos desinibidos) e os que são falantes por natureza. Com pouco tempo, todos falarão mais. O grupo é excepcionalmente bom. Me impressionou.

 

Trabalhar em grupo multinacional tem sido outro grande aprendizado. Descobri por que tem tantos indianos aqui (No Vale do Silício, aqui perto então). Eles são muito bons, competentes. Impressionam. A troca de experiências culturais e organizacionais tem se mostrado rica. Única, irritante às vezes. Mas compensadora.

 

Outra coisa boa é a quantidade de links e contatos que nos passam. Há coisa interessante de sobra para ler e conhecer no tempo de intervalo. Mas isso é assunto para outro post.

 

A Diversidade

No post anterior, já havia mencionado essa diversidade.  Não que tenha me surpreendido, pois de certa forma já esperava. Mas a energia de ver isso ao vivo  impressiona.

 

Eles fazem diversos testes psicológicos ou psicotécnicos conosco. Aliás, exigem que os façamos antes, para já chagar nas aulas com os resultados. São certificados e tudo o mais. No decorrer do tempo, eles explicam para que servem  e nos ajudam a refletir sobre seus resultados.

 

Um deles que fiz antes foi o “Cultural Assessment”, onde são expostas diversas situações hipotéticas de trabalho para você marcar sua possível reação. Na aula que tratou sobre isso, ele explicou. Falou das médias de alguns perfis de países (pelos resultados de pessoas de lá). Há grandes padrões, sendo os extremos de um triângulo o latino, o asiático e o alemão. Claro que há milhares de nuances entre os tres tipos, para os quais dão características. Eu fiquei entre o latino e o germânico, pelas respostas. Mas ele pediu para nos reunirmos no grupo em que mais se aproximava dos resultados. E sem sabermos, fotografou. Os padrões do grupo mais multi-ativo (latino) era um, o dos lineares-ativos, outro, e dos lineares reativos, ainda diferente. Não quer dizer que no grupo dos latinos só tivesse latinos. Tinha sim, mas tinha alemães, brasileiros e até chineses. Assim como nos outros. Foi um interessante experiência vivenciar isso. Aqui o meu resultado:

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Ainda nesse escopo, em uma das aulas eles nos pediam para explicar o porque de estarmos ali. Dentre os muitos depoimentos interessantes, destaco o de um ex-militar da força aérea dos EUA, que disse: “para fazer algo que seja válido” (something that matters), e o  de um colega chinês que emocionou a todos com sua história, de que viveu num sistema educacional absurdamente competitivo, em quem todo dia o professor colocava na lousa os melhores E OS PIORES alunos do dia (ou da semana) e os fazia sentirem-se por um lado estimulados a competir, por outro lado, inferiores, humilhados. BEm vindos à China, pensei. E que buscava ali subsídios para mudar o sistema educacional chinês. O curso é oMestrado em Empreendedorismo Social. Todos querem mudar o mundo. Cada um, à sua maneira.

 

Outro caso que me chamou a atenção foi o de um colega Sírio, muçulmano. Jovem, gente boa, casado. Ele me procurou para contar um choque cultural que teve ao apresentar sua esposa, jovem também, que o estava acompanhando em um dos eventos da escola, a um colega latino. E este, muito solícito, ao ser apresentado, pegou a mão dela e beijou, de forma cortês. O colega disse que em seu país somente o marido beija a esposa em qualquer situação. E que aquilo tinha feito cair a ficha dele que realmente estava fora de sua zona de conforto.

 

Como me disse o colega americano da força aérea:”esse vai ser um ano interessante, rico”. Vai. Já tá sendo.

Hult International Business School

OPA! Esse é o primeiro post em 15 dias. Mas na realidade estava já escrito e demoramos a postar por que havia um problema técnico no Blog e demorou esse tempo todo para resolver. Aqui vai…

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Finalmente chegou o primeiro dia de aula. Parecido com os primeiros dias de aula de qualquer lugar. A escola bem organizada.  Ninguém se conhece. E todos tem expectativa e certeza de que vão se conhecer e que dali nascerão amizades, projetos futuros e sabe Deus o que mais.

 

Porém aqui havia algo de diferente. Primeiro, o ambiente. Sempre o ambiente de um primeiro dia de aula é ao mesmo tempo familiar e estranho para todos. Mas o algo mais daqui  era o carater internacional ao extremo. Origens, raças, credos diferentes. Aparentemente, em todos, o mesmo desejo de se integrar.

 

Na abertura, só explicações sobre como será o ano. Como foi o passado. Onde estão alguns ex-alunos. Reforço na excelência acadêmica. Tranquilização na comparação com os nativos, de que a língua oficial da escola é o “inglês com sotaque” (achei ótimo isso). Apresentação da cidade. Do que é, do que representa San Francisco. Com ênfase na receptividade ao estrangeiro, à disponibilidade de tudo, ao networking – que consideram fundamental. Força também no mercado de trabalho, nas oportunidades, no apoio que a Escola dá ao conceito de imigração.

 

No almoço, para sentir um gosto da cidade, um vale para aproveitarmos os food-trucks, caminhões de comidas étnicas que existem na cidade (há até guias gastronômicos e críticas só para eles). Tinha em frente à Hult, nesse dia um caminhão de comida peruana, um de vietnamita e um de argentina. Embora estivesse curioso, fui prático. O argentino tinha fila menor e fui nele.

 

Após, nos organizamos em grupo e foi feita uma gincana, extremamente bem pensada não só para nos conhecermos e integrarmos em grupos, mas também para interagir com a cidade e os arredores da escola. Tivemos que ir a diversos pontos interessantes (parque da America`s Cup de Iatismo, Exploratorium, Union Square, ao bar mais antigo da cidade, encontrar ex-alunos etc). Vi ali praticidade e inteligência condensadas, o que me causou boa impressão. O meu grupo, de seis pessoas tinha, além de mim, brasileiro, dois colombianos, uma kuwaitiana, uma indiana e um suíço.

 

Na volta da gincana (que incluía postar fotos das tarefas no twitter), uma festa de recepção, onde estavam o reitor e diretores. Muito bons os discursos e uma espécie de saudação a cada país com aluno presente na escola, nas turmas daquele ano. O país era mencionado, os nativos se levantavem e eram aplaudidos. Seria bom para eu ver os demais brasileiros. Na minha turma tinha eu e mais um. Nas demais, eu não sabia. O bom foi ver também ele dizer que ali tinha gente de 93 países. Mais países que na fundação da ONU – que,por acaso, também foi em San Francisco e contou com 88 países.

 

Me sentei ao lado de uma taiwanesa, com quem conversei um pouco, e na hora que o reitor chamou “China” eu disse: “stand (se levanta!)” só para ouvir a reação. Que, claro, não foi boa: I am NOT from China. NUma boa. Rimos…

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China e Índia representam a maioria dos alunos. Seguidos dos Estados Unidos. Uma proporção boa. Da  Síria ao Quirguistão, da Nicarágua ao Benin, há gente representada aqui. Um negócio bonito de se ver. A expectativa sobre o resultado dessa mistura é grande. Vai ser bom equalizar as diferenças e traballhar em ambiente tão diversificado. E organizado.

Ninguém é estrangeiro se todos são

As camareiras do hotel em que estávamos eram costarriquenhas ou filipinas. O gerente da concessionária de carros era iraniano. O vendedor, russo. Era filipino o instalador da At&T (conto adiante). O financeiro da concessionária era armênio, casado com uma brasileira. Uma das corretoras de imóveis era das ilhas Fiji. Chineses estão em todos os cantos aqui. Era de El Salvador um dos gerentes do hotel. Muitos indianos (inconfundíveis) na loja de móveis. Vietnamita um dos vendedores de carros. Chinesa a bancária do Citibank. Malaio o gerente do mesmo banco.

Impressiona a diversidade. Difícil acreditar no lado xenófobo dessa sociedade, se só se vê essa região. Mas nas outras vezes que aqui (nos EUA) estive, mesmo em outros lugares, só vi diversidade. Ela encanta. Ela atrai, ela impulsiona a economia e o pensamento. Não parece ser o mesmo país que exige o visto em um processo complicado. Como todos esses conseguem? Muitos claramente não tão qualificados.