Tudo muito rápido… a propaganda de seguros na vida real

IMG_8847No dia seguinte ao domingo das visitas a algumas revendas de carros, recebo telefonemas indicando que o modelo que queria estaria disponível e me pedem para marcar um horário. Marquei no dia posterior, na revenda.

A segunda pós domingo no parque e IKEA foi improdutiva. Comparando com a atividade dos outros dias, pouco foi feito. Mas o organismo e a mente precisavam desse descanso.

Na hora marcada, chego na revenda. Conto a história (vim aqui no domingo, na segunda me ligaram marcando para hoje etc). O gerente (iraniano) vem me receber e indica um vendedor (russo) para buscar o carro. Ela vai e não acha. Mas se oferece para mostrar outros modelos. Desta vez, estava com Daniela. Ele mostra, mostra. Gostamos de um. Ele diz que o preço que está indicado pode ser descontado dependendo da nossa oferta. Fazemos test drive. Com ele no banco de trás. Digo que vou fazer uma oferta 5% menor. Havia pesquisado online. Tava bom. Ele diz que posso oferecer o que quiser. Ofereço bem menos (15%). O gerente não aceita. Negociamos. 12% menos. Aceita.

Fechamos. Acho que no nosso Brasil pagaria pelo menos o dobro no modelo de carro que compramos. Um Toyota Matrix (estou na Matrix) com bom valor de revenda. 2010.

Mas o melhor foi a rapidez do processo. Preenchemos papéis, dados, endereço. Fomos ao Banco e pegamos um cheque administrativo. E por telefone fizemos o seguro.

Por não termos carteira de motorista dos EUA, o seguro ficou caro. Mas cairá à metade assim que a obtivermos. Estava em nossos planos tirar carteira assim que chegássemos, mas outras necessidades se impuseram.

Combinamos com o cara da seguradora que em um mês tiraríamos carteira. O DMV (Detran local) aceita nossa carteira do Brasil. Por tempo limitado. Assim que tirar, cancelo o seguro e faço outro mais barato. Estou pagando por mês.

Em duas horas no máximo, após a compra do carro, saímos já dirigindo nele. Lembrei de uma propaganda da seguros no Brasil, em que o cara contava o processo de receber o seguro como quem narra um acidente de carro. “Foi tudo muito rápido”. Inacreditavelmente rápido, para quem está acostumado a uma burocracia às vezes irracional.

O transporte lá

Não se vive nos EUA sem carro. Em certas cidades não sequer transporte público digno do nome. Eles não são a Europa. Na Califórnia, a civilização dependente do automóvel chega ao auge. É o que se diz… de Los Angeles. Mas, os EUA não são uniformes. E San Francisco não é Los Angeles. Na realidade, das cidades americanas que conheço, é a que mais se aproxima em alguns aspectos, de algumas da Europa.

Há transporte público. Diversos. Como SF é a metrópole de uma área bastante povoada, a Bay Area, há trens de superfície para distâncias curtas, para distâncias longas (que interligam a área) e ônibus. Há forte desestímulo a estacionamento no centro e em algumas áreas da cidade (são caríssimos). E há uma cultura de bicicleta e estacionamento, tanto de bicicletas quanto de carros nas estações (não todas) do metrô e dos trens. Há também sistema regular de transporte marítimo entre localidades à beira da baía. É muitas vezes mais rápido – dependendo de onde você mora.

Isso nos influencie e influencia toda uma cultura de habitação. É melhor e mais valorizado morar perto das estações.

Nossa ideia é ter um carro, que ficará com Daniela. E eu ir à escloa de transporte público.   Que pode ser, preferencialmente o BART (Bay Area Rapid Transit – www.bart.gov). Se morar na direção do vale do Silício, o Caltrain (www.caltrain.gov). Se for em Marin County, do outro lado da Golden Gate, pode ser o ônibus (www.muni.gov)  ou mesmo (sonho), o barco  www.baycrossings.com.   Por enquanto, só planos. Sorte que a escola fic abem pertinho, a pé, da estação principal de SF, o Embarcadero. A qual, pelo nome, é também porto dos barcos que cruzam a baía.

 

“Get around round round I get around

From town to town

Get around round round I get around

I’m a real cool head”

I get around – Beach Boys

O que faremos assim que chegar?

Estamos no “mundo das ideias” ainda. Mas é neste mundo que a realidade toma forma. Depois, no futuro, contaremos o que deu certo e o que não. Mas, a partir de pesquisas, conversas, dicas e um pouco de experiência e bom senso, montamos um plano do que fazer de imediato. É muita coisa.

Chegaremos por Atlanta. Temos parentes lá. Como a espera pela conexão é propositalmente longa, ficaremos com eles, descansaremos e seguiremos para SF. Chegando em SF, vamos para um hotel residência. Onde ficaremos os 6. Como eu e Dani termos muita coisa para resolver, minha mãe e prima ficarão com as crianças. E o hotel terá coisa para eles fazerem. Isso foi pensado.

Já marcarei o exame da carteira de habilitação da Califórnia daqui. E daqui estudarei a legislação. Já sei como é o exame. O bom disso é ter logo um documento americano. Abre portas, facilita. Daqui também já terei agendadas visitas em diversas casas. Nos locais que conhecemos ou elegemos como interessantes para morar. O contato com os corretores e o aplicativo Trulia ajudam muito.

Alugaremos um carro, mas ao mesmo tempo, procuraremos o nosso para comprar. Já tenho, após pesquisas, na faixa de preço que podemos, alguns modelos em vista. Um GPS é fundamental. Compraremos um também. Vou tentar abrir conta em Banco de lá, daqui. Não sei se dá, mas se der, ótimo. Para facilitar, seguindo conselhos, já abri conta no Citibank daqui. E a escola, muito solícita e profissional, indicou até gerente do Citi de lá para facilitar o trâmite. Pois bem, hotel, conta, carro, GPS, visitas. Casa.

O mais importante é decidir a casa e fechar o aluguel logo. Antes que tenhamos que sair do hotel… por que as aulas nas escolas das crianças lá começam ANTES da minha. E a matrícula na escola depende de já termos o endereço fixo. Essa é a corrida contra o tempo. Não gostaria que as crianças começassem depois dos colegas nas aulas. Já vai ser traumática a mudança o suficiente. Porém, essa limitação de chegarmos 30 dias antes, restringe muito. Por isso temos que planejar e adiantar o possível. Após a decisão da casa, dependendo do que existir nela, temos que mobiliá-la com o mínimo. Aí, é IKEA e Craigslist. Sobre a IKEA já me referi em outro post. O Craigslist merece um post a parte. O que vai dar certo desse plano?

Não sei. Mas informarei.

“Dos nosso planos é que temos mais saudades

Quando olhávamos juntos na mesma direção”

Vento no Litoral – Legião Urbana

 

Planos, planos…

As conversas familiares sobre a nova vida foram e tem sido intensas. Onde morar? Ter carro ou não? Transporte público? Como as crianças iriam à escola? Teria aquele ônibus “School Bus” amarelo, com um(a) motorista mascando chiclete e mandando as crianças entrarem? E a moradia? O “sonho americano” de uma casa sem muros, com jardim e vizinhos se cumprimentando durante o corte de grama e olhando as conquistas uns dos outros (o carro, a casa etc). O churrasco de máquina, os almoços rápidos, os seriados de TV.

Muitas referências. Mas pelo que conheço dos EUA, tudo é muito miscigenado. Não há mais padrões rígidos. Não sabemos ainda onde vamos morar exatamente, nem se será casa ou apartamento. Decidimos ter um carro, só, e morarmos em um lugar de onde eu possa ir à escola (no centro de San Francisco), de ônibus, metrô ou qualquer transporte público (no caso de lá, de BART, Caltrain ou Muni).

Por enquanto, essas são as únicas deliberações. Não são certezas. A certeza mesmo é que devemos aproveitar ao máximo a experiência. Ao máximo, seja como ela for.

“Como será amanhã?
Responda quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será
Como Deus quiser”

O Amanhã – Simone