As chaves, o lar, o choque!

IMG_8791 IMG_8859 IMG_8861Na quinta feira, dia 22 de agosto, recebemos as chaves. Havia uma plaquinha nos dando as boas vindas na entrada do condomínio. Felizes. Uma festa. Um passo a mais dado, uma solução. Boas vibrações. Passamos o dia em casa. Na casa nova. Montei o sofá, a mesinha. O apartamento já vem com os armários e a cozinha pronta. O condomínio é de uma limpeza impecável, tem piscina e academia. Já inauguramos a cozinha. Aparelhagem nova, bonita.

Tem meio que um quê de hotel. Mas pela praticidade, compensava. Já havíamos superado essa discussão. O problema são as paredes, meio finas, de madeira. É tudo assim, aqui. Isso daria um choque para nós, que detalho em seguida.

Eram 23:00 da quinta feira. Dia em que recebemos as chaves. Toca a campainha. Abro. O segurança do prédio, visivelmente constrangido e simpático até, diz que recebeu um pedio de um vizinho para vir aqui, pois estávamos muito barulhentos. Não havia música. Nem festa, nem nada demais. Apenas conversávamos alto. É verdade que já era tarde. E que as crianças correram muito pela casa e tomaram banho de banheira. E que não tínhamos mesmo noção do barulho. Mas no primeiro dia, isso foi um choque. De realidade. De frescura.

Ficamos na dúvida. Ainda não haviam as camas. Fomos, como já íamos, dormir no hotel. Mas com um gosto meio ruim.

No dia seguinte, falamos com a administradora. Nãoi havia denúncia formal, nada. Ela ficou meio chocada. Disse que deveria ter sido um problema do vizinho e não nosso. Que ela qeuria que fôssemos felizes aqui. E nós, claro, também.

Viemos  no dia seguinte. Pé atrás. Arrumar mais coisas. Mas deu tudo certo.

No sábado, 24/8, acabou o hotel. Nos mudamos. Foi todo o fim de semana, após mais uma dose de IKEA montando coisas. Dormimos. Tranquilo.

E escolhemos o AP!

Coincidência ou não, gostamos muito dos apartamentos aqui em San Bruno. Bem mais perto de SF que os de Walnut Creek. Mais novos e mesmo mais agradáveis. A corretora era muito competente (aliás, americanos sabem mesmo vender).  Ficamos balançados. Fomos então ver as escolas locais. Como já era final da tarde,  estavam fechadas. Uma delas, bem ranqueada, nos passou impressão de abandono. Pé atrás…

Precisava então de uma Money order (como um cheque administrativo) para garantir o apartamento, mesmo que depois desistisse. . Fomos a uma agência do Citibank e descobrimos que qualquer agência de banco resolve coisas de outras do mesmo banco. O que é bom, pois queria tornar a  conta conjunta e não tivemos que ir até a primeira agência, muito longe de novo. Pena que a atendente, uma chinesa muito simpática, errou o nome da Dani e o processo demorou bastante. Mas,conseguimos e entregamos os documentos. Recebemos o contrato por email. Em casa (no hotel) lemos.

Chegando,pesquisamos mais sobre as escolas. A escola que vimos descobri que estava para se fechada, por isso a  impressão.

Lemos o contrato. Interessante com tem detalhes. Os americanos tem medo de processo, então tudo está ali. Até coisas interessantes, como “o condomínio não se responsabiliza caso haja desentendimento ou agressão de outra pessoa (residente ou não) contra você”. É óbvio, claro, mas está lá!

Para assinar o contrato, uma rubrica eletrônica. E uma assinatura segura eletrônica, por email, legalmente reconhecida. Sinceramente, algo muito prático e confortável. O amigo Carlos Sérgio iria gostar muito do sistema. Assinamos assim. E assim foi. Temos local para morar.

 

Mudança – Parte1

fotoÉ parte do projeto. Metaforicamente, a mudança já começou bem antes. Na decisão, nos preparativos, nas tratativas. Porém a concretzação de tudo dá a certeza concreta, visível, além e de todas as evidências, do fato.

Pintamos nosso apartamento. Esvaziamos armários. Fizemos o bazar do desapego. Tiramos caixas e caixas de coisas. Esse processo é mias que meramente material. É psicológico, fislosófico mesmo. Como temos coisas. como dá trabalho!  E de certa froma, como alivia se desapegar.

A partir de hoje dez dias na casa de minha mãe. Com crianças e cachorro também. Um prepartivo.Uma prévia.

 

Os condomínios ou as casas

Como decidir o tipo de imóvel para ficar por um ano? Casa, apartamento? O espaço é caro, mas gostamos de receber pessoas. E há muitas promessas de visitas daqui do Brasil. Sem falar nos que vamos conhecer por lá. O “sonho americano”,a  experiência completa requer uma casa. Tudo bem, pode não ser grande, mas uma casa. Nós que há tempos moramos em apartamentos, temos (pelo menos eu tenho) vontade de morar em casa , em local com segurança. O sonho americano inclui até o espaço para a churrasqueira a gás no quintal para fritarmos hambúrgueres às vistas dos vizinhos “John e Mary”…

Mas há condomínios muito legais, administrados por empresas, que já são entregues a quem aluga semi-mobiliados ou mesmo mobiliados. O que escolher? Temo  que façam com que nos sintamos em um hotel – o que é exatamente o que não desejo. É mais cômodo, os serviços de manutenção (que sabemos serem caros lá)  estão incluídos. Caso se quebre algo em casa, Señor Hernández vem consertar (desculpem o suposto preconceito, mas em geral são imigrantes que fazem esse serviço). É mais fácil para quem fica em casa, tem mais espaço de convivência par aas crianças. Mas imagino que seja “hotel-like”. E não tem tanta privacidade como uma casa.

Mas, tudo tem os prós e os contras, claro. A decisão será lá mesmo. Na hora. Em um momento pendemos para um lado, outro para o outro.

 

“Não sei o que que eu quero da vida
Não sei o que que eu quero de mim
Não sei o que que eu quero de tudo
Só sei que tudo vai ter um fim. Vai sim”

Não sei o que quero da Vida – Cássia Eller

O que faremos assim que chegar?

Estamos no “mundo das ideias” ainda. Mas é neste mundo que a realidade toma forma. Depois, no futuro, contaremos o que deu certo e o que não. Mas, a partir de pesquisas, conversas, dicas e um pouco de experiência e bom senso, montamos um plano do que fazer de imediato. É muita coisa.

Chegaremos por Atlanta. Temos parentes lá. Como a espera pela conexão é propositalmente longa, ficaremos com eles, descansaremos e seguiremos para SF. Chegando em SF, vamos para um hotel residência. Onde ficaremos os 6. Como eu e Dani termos muita coisa para resolver, minha mãe e prima ficarão com as crianças. E o hotel terá coisa para eles fazerem. Isso foi pensado.

Já marcarei o exame da carteira de habilitação da Califórnia daqui. E daqui estudarei a legislação. Já sei como é o exame. O bom disso é ter logo um documento americano. Abre portas, facilita. Daqui também já terei agendadas visitas em diversas casas. Nos locais que conhecemos ou elegemos como interessantes para morar. O contato com os corretores e o aplicativo Trulia ajudam muito.

Alugaremos um carro, mas ao mesmo tempo, procuraremos o nosso para comprar. Já tenho, após pesquisas, na faixa de preço que podemos, alguns modelos em vista. Um GPS é fundamental. Compraremos um também. Vou tentar abrir conta em Banco de lá, daqui. Não sei se dá, mas se der, ótimo. Para facilitar, seguindo conselhos, já abri conta no Citibank daqui. E a escola, muito solícita e profissional, indicou até gerente do Citi de lá para facilitar o trâmite. Pois bem, hotel, conta, carro, GPS, visitas. Casa.

O mais importante é decidir a casa e fechar o aluguel logo. Antes que tenhamos que sair do hotel… por que as aulas nas escolas das crianças lá começam ANTES da minha. E a matrícula na escola depende de já termos o endereço fixo. Essa é a corrida contra o tempo. Não gostaria que as crianças começassem depois dos colegas nas aulas. Já vai ser traumática a mudança o suficiente. Porém, essa limitação de chegarmos 30 dias antes, restringe muito. Por isso temos que planejar e adiantar o possível. Após a decisão da casa, dependendo do que existir nela, temos que mobiliá-la com o mínimo. Aí, é IKEA e Craigslist. Sobre a IKEA já me referi em outro post. O Craigslist merece um post a parte. O que vai dar certo desse plano?

Não sei. Mas informarei.

“Dos nosso planos é que temos mais saudades

Quando olhávamos juntos na mesma direção”

Vento no Litoral – Legião Urbana

 

Os Aluguéis em SF

San Francisco é uma cidade famosa. Cantada em prosa e verso, querida pelos americanos. Bonita, cheia de ladeiras, com um ícone inconfundível – a Ponte Golden Gate. Com um trauma de terremotos e ameaçada permanentemente por eles. Sede de movimentos pelas liberdades civis, notadamente o movimento gay. Sede também de grandes inovações tecnológicas e do boom da Internet.

Mas há uma fama que não conhecíamos: é o local de aluguéis mais caros dos Estados Unidos. Mais caros MESMO. Em média, segundo os americanos, 170% mias caros que média do País. Isso nos fez procurar morar em cidades bem próximas de lá , e não lá mesmo.

Por que? Ora, por alguns dos motivos acima: lá não houve  crise forte, uma vez que a indústria de software não para de crescer. Que os maiores executivos e empregados de empresas como Apple, Twitter, Facebook, Google, Hp e outras moram lá.

 Aqui transcrevo o que diz o blog Pando Daily (www.pandodaily.com) : SF é um ímã para jovens do mundo todo. Vêm para lançar negócios (start-ups) e trabalhar em companhias das mais respeitadas e promissoras . Por isso a economia da cidade está bombando em diversos setores.

“Once again, San Francisco has become a magnet for the smartest, most creative young people in the world. They’re flocking to the city to launch start-ups and to work at the world’s most respected firms. Thanks to these workers and the companies and VCs that will support them, San Francisco’s economy — like that of the rest of the Bay Area — has been on a tear. Job growth is up, the real estate market is bustling, and lots of new businesses are starting up. The success is not limited to the tech industry — according to a new study, non-tech positions, including those in retail and construction, now make up three-quarters of the city’s new jobs.”

 

E por que a cidade mesmo tem 7 X 7 milhas. Uma área pequena. As construções são reforçadas por causa dos terremotos (isso encarece, dizem). Há um forte código urbano de edificações, há um bom sistema de transporte público. Sei lá. Há muitas razões. Só sei que a soma delas leva a esses preços. E empurra quem quer morar lá com a família para longe. Para cidades vizinhas. Ainda bem que o transporte é bom. E que, pela organização  americana, facilita o cálculo  do commuting (ida e volta).

Alguns comentários dizem que SF é uma cidade grande e importante que teima em ser pequena. Quer manter seu zoneamento, suas casas históricas, tem trauma de terremotos e por isso impede ou restringe ao máximo, com toda a burocracia possível, novas construções e construções altas. Alguns dizem lá que terremotos não deveriam ser impeditivo, pois se Tóquio pode ter arranha-céus, por que SF não? A solução, dizem muitos, é construir arranha céus mesmo.

Na minha opinião, se não o fizerem, os aluguéis é que vão “arranhar” mais ainda os céus. E a cidade vai se descaracterizar, com a expulsão dos alternativos e artistas para outras paragens. Sobrarão apenas os “Techies” e nerds. E a cidade da diversidade ficará um saco.

Sobre morar lá, gostei de um blog de um americano que se mudou para SF. A respeito dessa cruel característica da cidade ele é taxativo: Rent is INSANE (os aluguéis são INSANOS!). Vejamos o que ele diz:

Rent is insane.

“The first thing you’ll notice when you get here is the sticker shock on rent. This is the most expensive city to live in now and only Manhattan is in the race with them. A studio is now over $2,000 a month in most parts of the city and even with roommates you’ll end up paying $1,000-$1,500 a month for a place pretty much anywhere in town. I just looked up the building I moved into April 1, 2012 and as of January, 2013 the rent is up $700 a month for a 2 bedroom apartment”

 

“Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar”

Marvin –Titãs