Sociedade perfeita? Sociedade Modelo? Não! E tem a FoxNews

Não. Nem uma coisa nem outra. Mas, com muita coisa para servir de exemplo. Para o bem (sigamos) e para o mal (evitemos)!

 

Não cabe aqui o estereótipo do americano rico e ignorante. Existem, como existem em todas as culturas. Mas a média de educação superior é altíssima. E pelo que experimento, nas aulas se questionam muito. Se comparam, se analisam. Há uma produção criativa e crítica ao que consideram errado na sociedade. Há um sentimento de que as empresas (Corporate America) têm poder exagerado. Há a ideia de que o governo, mesmo o poderoso governo americano se curva ante o poder corporativo. Há um blog, o Huffington Post, brilhante em suas análises e opiniões (não todas, claro).

 

 

Há um estímulo à doação, à caridade, por todos os lados. As empresas se esforçam para parecerem socialmente responsáveis. E divulgam isso. Raro o evento que não chama para algum tipo de ação caritativa.

 

Mas, tem um lado negro. Um sentimento de culpa latente. Algo inexplicável, que até estimula essa propensão à caridade como alívio dessa culpa.

 

 

Convive aqui  um outro país que acha que toda e qualquer ação governamental é absurda, intervencionista. Isso não é novidade, acredito, para quem lê o noticiário. Mas estar aqui é vivenciar essa contradição. Ver um canal de TV chamado FOX News é ter contato com a direita mais raivosa e aparentemente irracional, pior que a Veja, se é que dá para comparar.

 

A extrema direita aqui, o Tea Party, Fox News, e alas do GOP (partido Republicano, ou Great Old Party, como chamam), entendem que o estado é ineficiente por natureza, e que toda ação social, se é que deve existir, deve ser voluntária e não imposta. A construção da ideia se dá de forma até parecida com o que a nossa direita proclama no Brasil, mas de forma mais feroz. Menos impostos e menos regulação = mais liberdade às empresas = mais crescimento = mais empregos. Entendem que o mercado é perfeito, e mesmo para a evidente culpa dos mercados na crise de 2008, acham um viés do estado e a ele atribuem culpa (neste caso, são as empresas federais de hipotecas –Fannie Mae e Freddie Mac). Criam teorias absurdas e encontram na Fox News um poderoso meio de divulgação dessas ideias. E assim como vemos Brasília, vêem Washington.

 

Essa ideia, apesar de combatida, permeia a sociedade. O que, apesar de todas as vantagens, gera uma sensação de insegurança em relação aos que falham e aos fracos. Estes deverão sempre depender de iniciativas individuais, próprias ou de outros, e nunca da sociedade. Isso chega ao extremo na saúde pública. Que será motivo de outro post.

 

Em outras palavras, se eu falhar, não devo esperar da sociedade (do estado) uma ajuda. Todos os “taxpayers” não podem se responsabilizar por minha ineficiência ou fraqueza. Apenas os que querem, os que desejam. E que para esse fim doam ou se organizam em iniciativas sociais. Dizem que foi assim que o modelo americano obteve o sucesso e mérito, e é assim que deve ser. É assim que a HateTV (Fox News em minha livre acepção) entende. E apela para os mais absurdos argumentos.

 

Voltarei muitas vezes a esse tema. Ele fascina.

 

“Não sei como é que foi… só sei que é assim” (Chicó).

 

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O estímulo à associação. Os Clubes na Hult

Outro aspecto bastante peculiar e interessante que vi foi o estímulo à associação por interesses comuns, na escola. Fora as atividades curriculares, eles têm uma tradição da criação do que eles chamam de clubes. São associações livres, temáticas, que dispõe de recursos logísticos e institucionais (e até, eventualmente, financeiros) da escola. Há os que vem de muito tempo, que são reeditados a cada ano, e os novos feitos por iniciativa dos alunos. Há os novos.

Quem quer fundar um clube procura a área especializada da escola. Tem que haver uma constituição e uma eleição (geralmente o fundador é eleito, mas nem sempre).

 

Após duas semanas de aula, há uma feira. Os quatro andares foram tomados por pessoas mostrando os clubes fundados, para atrair membros. Há os mais profissionais, como o de Venture (novos negócios), o SoBiz (Social Business), Marketing Digital, Agribusines. Cada uma dessas associações de alunos tem apoio institucional para ir a campo atrás de eventos, palestrantes, contatos, networking. Há os de habilidades específicas, como o Toastmasters, para desenvolver palestrantes e apresentações, o de organização de eventos, o de língua chinesa par estrangeiros e outros. E há os de diversão mesmo, como o de intercâmbio cultural e gastronômico, o de apreciadores de vinho, de cerveja e de esportes.

 

Anexo a lista dos clubes com algumas descrições. Escolhi três. Quem adivinha quais foram?

 

Club Bazaar List

Mais do dia a dia na escola e o incentivo ao empreendedorismo

Já falamos aqui sobre o método e os estudos de casos. A grande maioria dos estudos que são feitos, mostram a decisão positiva. Mesmo que para se chegar a ela tenham-se tomado decisões erradas e se ralado muito. Não se estuda, ou pouco se estuda o caso que não deu certo. Porém, aprende-se de forma bem incisiva aqui que o erro é parte do sucesso. Repetem a frase de Thomas Edison, que tentou mais de 10.000 protótipos até inventar a lâmpada “I have not failed. I’ve just found 10,000 ways that won’t work” (Eu não falhei. Apenas achei 10 mil  formas que não dão certo).

 

Numa cidade de startups, de novos negócios, o fracasso parece ser também um mantra. E isso incentiva a busca. “Change the world from here (mude o mundo a partir daqui), diz o outdoor da Universidade de San Francisco.

 

Na faculdade, somos o tempo todo apresentados a iniciativas locais (maioria) ou não, com seus erros e acertos, que atingiram certo reconhecimento. Mesmo que mínimo. Muitas delas eu não conhecia. Não só de negócios lucrativos, mas de ações sociais, lucrativas ou não. A técnica de negócios pode e deve se juntar à boa vontade e às boas ideias para resolver os problemas do mundo. Eles dizem, “erre, mas erre gloriosamente”. Tente, dê o máximo de si, que o erro será bem visto. Esse ambiente estimula. Conquista. Impulsiona.

 

 

Um caso concreto

 

 

Uma disciplina: Landscape of Social Entrepreneurship. (Contexto  do Empreendedorismo Social). Muitos estímulos, vídeos, ideias. Iniciativas, contatos. Um professor que é palestrante, e também professor do MIT, fundador de várias empresas (http://www.youtube.com/watch?v=KSoDKnSNDwU). De cara, ele doa para o SOBiz Club (Clube de Negócios Sociais, ver post anterior) ingressos com hotel para um festival de música em Austin Texas, que ele não poderá ir, para serem leiloados no Ebay (outra iniciativa local).

 

Um desafio. A Intuit (empresa local de software) está na Índia, e criou um sistema interessante para aumentar a renda de agricultores familiares, com informações de mercado via SMS para melhorar o rendimento da venda de suas colheitas. Eles são semianalfabetos. Porém a iniciativa, que já elevou a renda deles em mias de 30% será desativado na próxima safra por que a empresa não consegue monetizar o processo (é complexo). Já fez sete tentativas diferentes. Que ainda não deram certo.

 

A empresa, em parceria com o professor, abre os dados para nós. É feita videoconferência com a Índia. Temos o desafio de propor uma solução. Não vale nota, mas quase todos se engajam. Ele diz: têm a chance de resolver um caso para uma empresa de 4,3 bilhões de dólares. Um caso social. Quem vai?

 

O desafio está lançado. Estamos trabalhando nele. Videoconferências com o pessoal na Índia. Insights, ideias. Discussão como mundo real. A quem conteste sermos vistos como mão de obra gratuita para a empresa. Mas se aprende com a vida real. E muito.