Correria, correria

Planeja-se, planeja-se. Procura-se pensar em tudo. Mas sempre tem correrias de última hora. Nosso apartamento daqui, que ficará alugado, pintamos e ajeitamos todo. Transtorno. Crianças na casa da avó. Caixas e mais caixas foram distribuídas entre parentes e amigo. Mas, ainda tem muito o que organizar, documentos a providenciar, a traduzir. Procurações a fazer. Tinha planejado estudar alguma coisa para fazer o exame de habilitação de lá. Não deu tempo. Tinha pensado em parar de trabalhar um pouco antes de sair. Não deu. É assim, com correria, com emoção mesmo. No final, tudo dará certo. nada é por acaso, e uma mudança destas também não seria! É bom que o sentimento de desapego vai se fortalecendo (nem dormindo em meu quarto estou). Uma preparação para a correria de lá e o que está por vir. Ganhamos experiência. A fé se fortalece.

Os condomínios ou as casas

Como decidir o tipo de imóvel para ficar por um ano? Casa, apartamento? O espaço é caro, mas gostamos de receber pessoas. E há muitas promessas de visitas daqui do Brasil. Sem falar nos que vamos conhecer por lá. O “sonho americano”,a  experiência completa requer uma casa. Tudo bem, pode não ser grande, mas uma casa. Nós que há tempos moramos em apartamentos, temos (pelo menos eu tenho) vontade de morar em casa , em local com segurança. O sonho americano inclui até o espaço para a churrasqueira a gás no quintal para fritarmos hambúrgueres às vistas dos vizinhos “John e Mary”…

Mas há condomínios muito legais, administrados por empresas, que já são entregues a quem aluga semi-mobiliados ou mesmo mobiliados. O que escolher? Temo  que façam com que nos sintamos em um hotel – o que é exatamente o que não desejo. É mais cômodo, os serviços de manutenção (que sabemos serem caros lá)  estão incluídos. Caso se quebre algo em casa, Señor Hernández vem consertar (desculpem o suposto preconceito, mas em geral são imigrantes que fazem esse serviço). É mais fácil para quem fica em casa, tem mais espaço de convivência par aas crianças. Mas imagino que seja “hotel-like”. E não tem tanta privacidade como uma casa.

Mas, tudo tem os prós e os contras, claro. A decisão será lá mesmo. Na hora. Em um momento pendemos para um lado, outro para o outro.

 

“Não sei o que que eu quero da vida
Não sei o que que eu quero de mim
Não sei o que que eu quero de tudo
Só sei que tudo vai ter um fim. Vai sim”

Não sei o que quero da Vida – Cássia Eller

O que as crianças vão comer lá? Cardápio de uma escola.

CardapioNossos filhos estão mal acostumados. Fazem pouco para se servirem e se virarem – fruto de nossa educação brasileira, superprotetora e remanescente de uma sociedade dividida e elitista.E também acostumados com a comida com sabor acentuado, além de pouco diversa, fruto do que falei no primeiro item. Crianças só comem o que gostam ou o que acham que gostam.

Essa vai ser mais uma grande vantagem da experiência que está por vir: o rompimento desses paradigmas. Nos EUA eles almoçam na escola, lá. E têm que ser autônomos, por necessidade e obrigação. Esse salto de autonomia é benefício esperado também por nós, pais. E alertado para eles desde já. Para que sofram menos e se adaptem melhor. Faz parte  do crescimento.

Mas, o receio é também de maias ainda se acostumarem com as quase inevitáveis porcarias que se come nos Estados Unidos.  E lá, o paraíso do fast food, deve-se redobrar esse cuidado. Léo já menciona,  usando esses mesmos termo, que “nos EUA as porcarias são ainda melhores que aqui”. Apesar do paradoxo da frase, espero que ele não constate isso.

Por curiosidade, pesquisamos o cardápio, aleatoriamente, de uma das escolas. Vejam o que vimos, no arquivo anexo, parece bom:

 

“$3.99 for all you can eat?

Put some food in my plate, and some Coke in my cup

Give me some chicken, franks, and fries

And you can pass me a lettuce. I’m a pass it by

So keep shoveling, (Ha!) onto my plate

Give me some sweets and lots of cake

Give me some hot Macaroni and Cheese!”

All you can eat – The Fat Boys

Contato com os corretores de lá

Pesquisamos na Internet. Baixamos o Trulia (ver post de 16/06/13 – “O plano de Preparação com Tecnologia”). Sabemos dos locais que gostamos (são muitos). Ouvimos opiniões do grupo de brasileiros – e mesmo de americanos. Visitamos a cidade. Conhecemos locais. Sentimos o clima. Mandamos emails a alguns corretores, quando identificávamos no site residências para alugar com as quais nos identificávamos em termos de diversos aspectos.

Mas… muito cedo. Os corretores contatados dizem que os imóveis colocados para lugar geralmente têm desocupação imediata e pedem ocupação imediata. Apesar de nosso planejamento e mesmo ânsia, é difícil encaminhar alguma coisa para ocuparmos daqui a 3 meses. Temos que aguardar.

A ideia é, chegando mais perto, já deixar uns 10 imóveis com visita agendada. Até por que, por mais que se conheça na teoria, isso só se resolve na prática, “sentindo” a casa.

Calma… e planejamento. É isso.

 

“Qual é a minha casa?
Onde eu vou morar?
Quem me dá abrigo?
Quem vai me escutar?”

Duas Casas – Kid Abelha

O que pensam os filhos sobre tudo isso?

Leo (12 anos)

“Papai, vai ser uma experiência boa, vou aprender inglês bem. Tenho medo que a escola tenha gangues e valentões, como eu vejo nas séries. E também das comidas que posso ser obrigado a comer. Mas sei que comem muita porcaria nos Estados Unidos, e como eu adoro essas porcarias (como batatas fritas, nachos etc), vou me dar bem. Bom que os videogames são mais baratos e tem mais modelos lá. Quero, com o que vendemos de nossas coisas, comprar o novo Wii U assim que chegar. Quero, também, passar frio.”

Ana Luíza (6 anos)

“Tô com saudade já da minha escola. Das minhas amigas. Quero ganhar uma boneca nova, já que vendemos quase todas as que eu tinha. Quero aprender inglês bem já que já estou lendo em português.”

 

O que faremos assim que chegar?

Estamos no “mundo das ideias” ainda. Mas é neste mundo que a realidade toma forma. Depois, no futuro, contaremos o que deu certo e o que não. Mas, a partir de pesquisas, conversas, dicas e um pouco de experiência e bom senso, montamos um plano do que fazer de imediato. É muita coisa.

Chegaremos por Atlanta. Temos parentes lá. Como a espera pela conexão é propositalmente longa, ficaremos com eles, descansaremos e seguiremos para SF. Chegando em SF, vamos para um hotel residência. Onde ficaremos os 6. Como eu e Dani termos muita coisa para resolver, minha mãe e prima ficarão com as crianças. E o hotel terá coisa para eles fazerem. Isso foi pensado.

Já marcarei o exame da carteira de habilitação da Califórnia daqui. E daqui estudarei a legislação. Já sei como é o exame. O bom disso é ter logo um documento americano. Abre portas, facilita. Daqui também já terei agendadas visitas em diversas casas. Nos locais que conhecemos ou elegemos como interessantes para morar. O contato com os corretores e o aplicativo Trulia ajudam muito.

Alugaremos um carro, mas ao mesmo tempo, procuraremos o nosso para comprar. Já tenho, após pesquisas, na faixa de preço que podemos, alguns modelos em vista. Um GPS é fundamental. Compraremos um também. Vou tentar abrir conta em Banco de lá, daqui. Não sei se dá, mas se der, ótimo. Para facilitar, seguindo conselhos, já abri conta no Citibank daqui. E a escola, muito solícita e profissional, indicou até gerente do Citi de lá para facilitar o trâmite. Pois bem, hotel, conta, carro, GPS, visitas. Casa.

O mais importante é decidir a casa e fechar o aluguel logo. Antes que tenhamos que sair do hotel… por que as aulas nas escolas das crianças lá começam ANTES da minha. E a matrícula na escola depende de já termos o endereço fixo. Essa é a corrida contra o tempo. Não gostaria que as crianças começassem depois dos colegas nas aulas. Já vai ser traumática a mudança o suficiente. Porém, essa limitação de chegarmos 30 dias antes, restringe muito. Por isso temos que planejar e adiantar o possível. Após a decisão da casa, dependendo do que existir nela, temos que mobiliá-la com o mínimo. Aí, é IKEA e Craigslist. Sobre a IKEA já me referi em outro post. O Craigslist merece um post a parte. O que vai dar certo desse plano?

Não sei. Mas informarei.

“Dos nosso planos é que temos mais saudades

Quando olhávamos juntos na mesma direção”

Vento no Litoral – Legião Urbana

 

Planos, planos…

As conversas familiares sobre a nova vida foram e tem sido intensas. Onde morar? Ter carro ou não? Transporte público? Como as crianças iriam à escola? Teria aquele ônibus “School Bus” amarelo, com um(a) motorista mascando chiclete e mandando as crianças entrarem? E a moradia? O “sonho americano” de uma casa sem muros, com jardim e vizinhos se cumprimentando durante o corte de grama e olhando as conquistas uns dos outros (o carro, a casa etc). O churrasco de máquina, os almoços rápidos, os seriados de TV.

Muitas referências. Mas pelo que conheço dos EUA, tudo é muito miscigenado. Não há mais padrões rígidos. Não sabemos ainda onde vamos morar exatamente, nem se será casa ou apartamento. Decidimos ter um carro, só, e morarmos em um lugar de onde eu possa ir à escola (no centro de San Francisco), de ônibus, metrô ou qualquer transporte público (no caso de lá, de BART, Caltrain ou Muni).

Por enquanto, essas são as únicas deliberações. Não são certezas. A certeza mesmo é que devemos aproveitar ao máximo a experiência. Ao máximo, seja como ela for.

“Como será amanhã?
Responda quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será
Como Deus quiser”

O Amanhã – Simone

Preparando os filhos

Como preparar os filhos para a experiência? Sabemos que por mais que haja preparo  e expectativa, a realidade é que vai “pegar”, que vai transformar. Mas é necessário que algo seja feito.

Conversar, conversamos. Explicamos o que vai ser. Referências, eles têm. De forma mais forte, o mais velho, com 11 anos. Gosta de seriados pré-adolescentes americanos. O que inclusive já o faz  ter impressões estereotipadas e dramáticas – o que é natural.

O que fazer, além disso? Reforço nas aulas de inglês. OK. História americana. Pensamos e estamos pesquisando material. Conversas em família também.

Hoje, tive uma ideia. Ver um filme que mostra a vida americana, um pouco da história deles e que diverte muito. Qual é?

Forrest Gump. Um de meus filmes preferidos. Vê-lo sob essa ótica, com Dani, na companhia do Léo foi muito bom. Não pensei, por enquanto, em outros filmes. Em outras coisas para fazer dentro de nosso limite de tempo.

Aguardo sugestões. Sei que temos que correr. O tempo está passando. “Run Forrest”.

“Pai, vem me ensina a caminhar
Presença que constrói
Teu conselho sempre sera
rumo pra seguir
Teu exemplo me guiara
Enquanto eu viver
em tudo que fizer “

Amigo e Herói – Walmir Alencar