Sociedade perfeita? Sociedade Modelo? Não! E tem a FoxNews

Não. Nem uma coisa nem outra. Mas, com muita coisa para servir de exemplo. Para o bem (sigamos) e para o mal (evitemos)!

 

Não cabe aqui o estereótipo do americano rico e ignorante. Existem, como existem em todas as culturas. Mas a média de educação superior é altíssima. E pelo que experimento, nas aulas se questionam muito. Se comparam, se analisam. Há uma produção criativa e crítica ao que consideram errado na sociedade. Há um sentimento de que as empresas (Corporate America) têm poder exagerado. Há a ideia de que o governo, mesmo o poderoso governo americano se curva ante o poder corporativo. Há um blog, o Huffington Post, brilhante em suas análises e opiniões (não todas, claro).

 

 

Há um estímulo à doação, à caridade, por todos os lados. As empresas se esforçam para parecerem socialmente responsáveis. E divulgam isso. Raro o evento que não chama para algum tipo de ação caritativa.

 

Mas, tem um lado negro. Um sentimento de culpa latente. Algo inexplicável, que até estimula essa propensão à caridade como alívio dessa culpa.

 

 

Convive aqui  um outro país que acha que toda e qualquer ação governamental é absurda, intervencionista. Isso não é novidade, acredito, para quem lê o noticiário. Mas estar aqui é vivenciar essa contradição. Ver um canal de TV chamado FOX News é ter contato com a direita mais raivosa e aparentemente irracional, pior que a Veja, se é que dá para comparar.

 

A extrema direita aqui, o Tea Party, Fox News, e alas do GOP (partido Republicano, ou Great Old Party, como chamam), entendem que o estado é ineficiente por natureza, e que toda ação social, se é que deve existir, deve ser voluntária e não imposta. A construção da ideia se dá de forma até parecida com o que a nossa direita proclama no Brasil, mas de forma mais feroz. Menos impostos e menos regulação = mais liberdade às empresas = mais crescimento = mais empregos. Entendem que o mercado é perfeito, e mesmo para a evidente culpa dos mercados na crise de 2008, acham um viés do estado e a ele atribuem culpa (neste caso, são as empresas federais de hipotecas –Fannie Mae e Freddie Mac). Criam teorias absurdas e encontram na Fox News um poderoso meio de divulgação dessas ideias. E assim como vemos Brasília, vêem Washington.

 

Essa ideia, apesar de combatida, permeia a sociedade. O que, apesar de todas as vantagens, gera uma sensação de insegurança em relação aos que falham e aos fracos. Estes deverão sempre depender de iniciativas individuais, próprias ou de outros, e nunca da sociedade. Isso chega ao extremo na saúde pública. Que será motivo de outro post.

 

Em outras palavras, se eu falhar, não devo esperar da sociedade (do estado) uma ajuda. Todos os “taxpayers” não podem se responsabilizar por minha ineficiência ou fraqueza. Apenas os que querem, os que desejam. E que para esse fim doam ou se organizam em iniciativas sociais. Dizem que foi assim que o modelo americano obteve o sucesso e mérito, e é assim que deve ser. É assim que a HateTV (Fox News em minha livre acepção) entende. E apela para os mais absurdos argumentos.

 

Voltarei muitas vezes a esse tema. Ele fascina.

 

“Não sei como é que foi… só sei que é assim” (Chicó).

 

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O estímulo à associação. Os Clubes na Hult

Outro aspecto bastante peculiar e interessante que vi foi o estímulo à associação por interesses comuns, na escola. Fora as atividades curriculares, eles têm uma tradição da criação do que eles chamam de clubes. São associações livres, temáticas, que dispõe de recursos logísticos e institucionais (e até, eventualmente, financeiros) da escola. Há os que vem de muito tempo, que são reeditados a cada ano, e os novos feitos por iniciativa dos alunos. Há os novos.

Quem quer fundar um clube procura a área especializada da escola. Tem que haver uma constituição e uma eleição (geralmente o fundador é eleito, mas nem sempre).

 

Após duas semanas de aula, há uma feira. Os quatro andares foram tomados por pessoas mostrando os clubes fundados, para atrair membros. Há os mais profissionais, como o de Venture (novos negócios), o SoBiz (Social Business), Marketing Digital, Agribusines. Cada uma dessas associações de alunos tem apoio institucional para ir a campo atrás de eventos, palestrantes, contatos, networking. Há os de habilidades específicas, como o Toastmasters, para desenvolver palestrantes e apresentações, o de organização de eventos, o de língua chinesa par estrangeiros e outros. E há os de diversão mesmo, como o de intercâmbio cultural e gastronômico, o de apreciadores de vinho, de cerveja e de esportes.

 

Anexo a lista dos clubes com algumas descrições. Escolhi três. Quem adivinha quais foram?

 

Club Bazaar List

Mais do dia a dia na escola e o incentivo ao empreendedorismo

Já falamos aqui sobre o método e os estudos de casos. A grande maioria dos estudos que são feitos, mostram a decisão positiva. Mesmo que para se chegar a ela tenham-se tomado decisões erradas e se ralado muito. Não se estuda, ou pouco se estuda o caso que não deu certo. Porém, aprende-se de forma bem incisiva aqui que o erro é parte do sucesso. Repetem a frase de Thomas Edison, que tentou mais de 10.000 protótipos até inventar a lâmpada “I have not failed. I’ve just found 10,000 ways that won’t work” (Eu não falhei. Apenas achei 10 mil  formas que não dão certo).

 

Numa cidade de startups, de novos negócios, o fracasso parece ser também um mantra. E isso incentiva a busca. “Change the world from here (mude o mundo a partir daqui), diz o outdoor da Universidade de San Francisco.

 

Na faculdade, somos o tempo todo apresentados a iniciativas locais (maioria) ou não, com seus erros e acertos, que atingiram certo reconhecimento. Mesmo que mínimo. Muitas delas eu não conhecia. Não só de negócios lucrativos, mas de ações sociais, lucrativas ou não. A técnica de negócios pode e deve se juntar à boa vontade e às boas ideias para resolver os problemas do mundo. Eles dizem, “erre, mas erre gloriosamente”. Tente, dê o máximo de si, que o erro será bem visto. Esse ambiente estimula. Conquista. Impulsiona.

 

 

Um caso concreto

 

 

Uma disciplina: Landscape of Social Entrepreneurship. (Contexto  do Empreendedorismo Social). Muitos estímulos, vídeos, ideias. Iniciativas, contatos. Um professor que é palestrante, e também professor do MIT, fundador de várias empresas (http://www.youtube.com/watch?v=KSoDKnSNDwU). De cara, ele doa para o SOBiz Club (Clube de Negócios Sociais, ver post anterior) ingressos com hotel para um festival de música em Austin Texas, que ele não poderá ir, para serem leiloados no Ebay (outra iniciativa local).

 

Um desafio. A Intuit (empresa local de software) está na Índia, e criou um sistema interessante para aumentar a renda de agricultores familiares, com informações de mercado via SMS para melhorar o rendimento da venda de suas colheitas. Eles são semianalfabetos. Porém a iniciativa, que já elevou a renda deles em mias de 30% será desativado na próxima safra por que a empresa não consegue monetizar o processo (é complexo). Já fez sete tentativas diferentes. Que ainda não deram certo.

 

A empresa, em parceria com o professor, abre os dados para nós. É feita videoconferência com a Índia. Temos o desafio de propor uma solução. Não vale nota, mas quase todos se engajam. Ele diz: têm a chance de resolver um caso para uma empresa de 4,3 bilhões de dólares. Um caso social. Quem vai?

 

O desafio está lançado. Estamos trabalhando nele. Videoconferências com o pessoal na Índia. Insights, ideias. Discussão como mundo real. A quem conteste sermos vistos como mão de obra gratuita para a empresa. Mas se aprende com a vida real. E muito.

 

Domingo no Parque e um incidente com Anakin

Essa é da Dani. Era um dia bonito. Vejam o que houve:

 

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Domingo, dia 13, fomos fazer um picnic no parque Presidio, em Sao Francisco..um local bem legal, onde aos domingos tem esse eventos…muitas barraquinhas de comida, um DJ tocando, bem animado e um parque onde se é permitido levar os cachorros… Pensamos que seria o programa ideal para nossa família.
Fomos e estava ótimo. O Anakin estava se divertindo muito, fui dar uma voltinha com ele, sempre que ele passava por algum cachorro, ele cheirava, depois continuava andando…dessa vez, ele chegou perto de um husky siberiano, eles se cheiraram e o husky deu uma patada nele. Eu o peguei no colo, ele choramingou…dei uma olhada no corpo para saber se o cachorro tinha mordido ele, alguma coisa assim, mas nao vi nada…voltei para onde estavamos sentados…lá chegando, passado uns cinco, dez minutos…a aninha me fala “mamae, olha o olho do Anakin! Está saindo para fora!!!!”

Pensem num susto, amigos…realmente estava horrível…fiquei com o coração na mão….que aflição!!!!! Arrumamos as coisas rapidamente e corremos para o carro, procurando na internet um hospital veterinário mais próximo…fizemos algumas ligações ao mesmo tempo que acalmávamos as crianças, o Leo que é muito apegado ao Anakin já chorava em silêncio, eu olhava para ele e via só as lágrimas escorrendo…isso ao mesmo tempo que segurava firme o Anakin para que ele nao se mexesse muito e o olho não caisse…fiquei com um medo…

Enfim, chegamos ao hospital, fomos prontamente atendidos…o médico explicou que o que ele teve ( proptosed eye) , que é muito comum em cachorros da raça dele e de outras raças de nariz mais achatado. O que mais provavelmente deve ter acontecido é o cachorro grande ter abocanhado o pescoço dele e puxado a pele para trás o que faz com que o olho saia para fora.

Depois entrei no google para pesquisar e vi que é uma acontecimento comum quando cachorros grandes brigam/ se envolvem/ brincam com cachorrinhos pequenos…faltei morrer, me senti tao culpada de ter deixado ele brincar com outros cachorros…agora vou tomar um cuidado triplo, redobrado…mas ainda estou me sentindo tao mal….não vou deixar mais ele encostar em nenhum bicho…

Pois bem, ele teve que fazer uma cirurgia..eles cortam um pouco do lado do canal do olho para que caiba o olho de volta e costuram temporariamente. As chances de ficar cego desse olho sao grandes. Ele, porém, até antes da cirurgia, ainda tinha a visão neste olho.

Ficamos em San Francisco aguardando a cirurgia…ele esta usando um colar de proteção ao redor do pescoço para evitar que as patinhas toquem o olho…o olhinho está costurado e é muito feinho de se ver…estou com uma dó dele, vcs nem imaginam…
Ele tambem esta tomando remédio para dor e antibióticos…
A primeira noite em casa foi longa…ninguém conseguiu dormir..ele choramingava bastante…e queria tirar o colar a todo custo…
Também não deixava a gente colocar a pomada antibiótica de jeito nenhum..liguei para o veterinário e ele trocou a pomada por um antibiótico liquido. Leo e Aninha estão ajudando muito nos cuidados, principalmente o Leo…bota ele no colo por horas e fica acariciando e conversando com ele “para que ele se sinta melhor” segundo o próprio Leo.
Ainda tudo é muito recente…não sabemos se ele vai voltar a enxergar ou como vai ficar o rosto dele esteticamente falando…vamos esperar para ver. O importante, é que não foi algo pior, como ter rasgado o cachorro, ter machucado algum orgão vital ou mesmo a morte. Nos apegamos demais ao Anakin, ele hoje é um membro da nossa família e tem ajudado muito na adaptação aqui nos Estados Unidos…quem tem ou teve um animal de estimação sabe como nos apegamos aos nossos bichos…
E ele é uma graça, uma fofura mesmo…só falta falar…se enrosca na gente, pede carinho…pensem numa criatura que só sabe amar, esse é o Anakin….

Depois mando mais notícias de como está o progresso dele.

O dia a dia

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Moramos em San Bruno. Uma cidade (ou bairro com prefeito), onde fica localizado o aeroporto de San Francisco. É como um bairro relativamente distante. As divisões administrativas fazem com que tenhamos um prefeito, polícia própria e tudo o mais. Mas faz parte da Bay Area, tem shopping  e vida interna. Mas é ligada e dependente de San Francisco e de todo o ecossistema da Bay Area.

 

Meu dia a dia? Acordamos, tomamos café. Caminho até a estação do Bart (8 min de caminhada). Lá pego o metrô quase imediatamente e desço 27 minutos depois na estação Embarcadero. Da estação passo num posto de bicicletas e pedalo até o posto de devolução, pertinho da Escola. Esse sistema de aluguel de bicicletas (Bay Area Bike Share http://bayareabikeshare.com) é bem legal. Tem várias estações na cidade. Você pega em uma e devolve em outra qualquer. Para ser membro, paga-se uma taxa de US$ 88.00 por ano. Poderia levar um bike no metrô também, mas esse sistema é mais cômodo para mim.

 

O bom é que essa pedalada (de 6 minutos) passa por uma sequência de lugares bem bonitos, como o Ferry Building, um parque, a beira-mar (Beira Baía, no caso), o local da America`s Cup e a pracinha da sede da Levi`s. Que é muito legal.

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Os problemas possíveis no sistema da bike são dois: não ter bicicletas na estação certa, para pegar, ou ter todas as bicicletas ocupando os lugares, na de devolver. Nunca cheguei numa estação para não ter bicicletas. Mas o segundo caso já me aconteceu algumas vezes. Ou espero que alguém venha e pegue uma bike, abrindo vaga, ou pedalo até outra estação. De qualquer forma, dá para ver por um aplicativo, na hora (foto abaixo), como estão as estações de bikes, quantas tem disponíveis em cada etc.

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Levo o almoço para a escola, e esquento lá num microondas. Ou saio às vezes com o pessoal para almoçar. Na volta, o mesmo esquema de bike-metrô-caminhadinha. A maioria dos colegas mora mais perto, mas com família, mas era o jeito ir mais longe para ter mais conforto e espaço. Os que têm familia também fizeram isso.

 

Essa vida tá bem sustentável. Minha pegada de carbono tá bem menor. Não vou mentir que às vezes dá uma preguicinha. Mas é bom.

 

O primeiro corte de cabelo

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Uma necessidade que todos temos, e que quando nos mudamos requer algum esforço é… cortar o cabelo. Eu estava acostumado a cortar com o mesmo cara há uns bons anos. Ele mudou de lugar, continuei fiel a ele, em outro salão. Pois bem, agora a coisa é outra.

 

Perto de casa há dois salões. Um era parte de uma franquia (Supercuts) e eu tinha um cupom de desconto por ser recente no condomínio (mandaram para o correio). Fui lá mas estava já fechado. Fui no outro, perto do Shopping . Era uma vietnamita. Fui atendido. Ela não falava nem inglês. Ficou apontando com mímica, e falando as poucas palavras que sabia. Eu tentei dizer que queria curto, como queria. Ela não entendia.  Eu tive uma ideia, mostrei uma foto minha, no celular, de cabelo curto, do jeito que queria. Ela gastou todo seu inglês para dizer que aquela foto não era minha: “This NOT YOU” (ISSO-NÃO-VOCÊ). Coitada, ainda era cega…

 

Já viu a imagem da desistência? Pois é. Ali, desisti. Desisti e mandei ela cortar do jeito que quisesse… (disse yes para tudo). Não ficou legal, mas foi engraçado.

 

Descobri que alguns colegas passaram pela mesma experiência. Em Chinatown, um colega americano disse que no salão, nem perguntaram nada e começaram a cortar, para o desespero dele. (engraçado que nesse caso, o colega chinês disse que era assim que faziam na China – acho que estava brincando). Dani disse que se fosse com ela, ela entrava em pânico. Mulheres são mais ciosas de seus cabelos.

 

Pois é. Pois foi. Não vou mais lá.

 

Os eventos na cidade

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Um bar diferente. Uma exposição. Um show de música. Um festival indiano. Uma manifestação artística diferente. Um concerto da orquestra da China. A chegada de pinturas de Rembrandt, um loucura qualquer numa vizinhança com direito a cobertura da imprensa, uma competição gastronômica de carrinhos de comida étnica. Um evento para negócios sociais com ligação com a tecnologia, uma feira de startups, shows de improviso, megaconcertos de rock no parque, um carro-barco anfíbio que passeia pela cidade e entra na baía, com música ao vivo dentro. Uma degustação das diversas cervejarias artesanais da cidade, dentro de um barco da segunda Guerra, também com música ao vivo.

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Parece clichê. E é. Mas a quantidade de eventos que existem aqui em uma semana qualquer chega a ser quase desestimulante face à enormidade de escolhas que um indivíduo tem a fazer. Dá a impressão que tudo ao mesmo tempo agora acontece nessa cidade. A liberdade de empreender,de criar, e a diversidade natural se refletem nessa multiplicidade de opções. É o local com mais restaurantes por habitante dos EUA. Não sei se há outros superlativos. Deve ter.

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Os eventos se retroalimentam, numa espécie de “ecossistema” (adoram essa palavra aqui). Tem muita coisa interessante, humana e naturalmente nas redondezas. E tudo converge para a City (como os habitantes da Baía chamam SF). Cada coisa tem seu website. E seu ranking. E sua atratividade. Palestras do TED tem a todo momento (O Ted foi inventado aqui). Já é a capital do Social Business no mundo, dizem. O KIVA também foi criado aqui. O AirBNB,o Twitter, a Levi`s… Muita coisa.

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Há sites para eventos legais e baratos (http://sf.funcheap.com). Para modernos e descolados (www.sosh.com). Para profissionais (www.eventbrite.com), para indecisos (www.upout.com), frequentes (www.7×7.com), esportivos… um sem fim de coisas. Dá até para listar as 100 coisas para fazer em SF antes de morrer (http://www.7×7.com/arts/big-do-sf-100-things-do-you-die).

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Com essas aulas nos domingos e muitos trabalhos, ainda não vi muita coisa. Mas tem tempo.

O Método

Copiado, imitado, admirado, contestado, às vezes. Esse é o método americano de ensino superior. Muito visto em filmes. Participativo, exigente. Eletivo. Menos rígido nas escolhas. Profundo após estas terem sido feitas. Explico.

 

Organização. As três primeiras semanas de aula consistem no que eles chamam de “Toolbox”. Caixa de Ferramentas, em tradução literal. Eles explicam o que vão fazer, como vão avaliar, o que será exigido, o uso da tecnologia. A história da escola, do sistema, as políticas de imigração (estimuladas), a parte psicológica e prática de se trabalhar em grupo. Como estudar casos, e casos recentes de decisões empresarias complexas. Que lições tirar delas. Para treinar habilidades gerenciais, trazem um alto executivo de empresa local, caso de sucesso: Starbucks. E este traz um caso de um problema real da empresa, para o qual a comunidade internacional se mobiliza pelo seu caráter humanitário: uma ameaça ao café de Ruanda, hoje o principal produto de exportação daquele país africano, e esperança para um povo devastado pelo não tão distante genocídio. Não há respostas certas. Há pesquisa, insights, soluções a se tentar. Somos instigados a mergulhar no problema e apresentar caminhos. Para ouvir as apresentações dos grupos, vieram executivos da empresa que estão vivenciando e buscando soluções. Muito bom ver o engajamento e as conexões de todos em seus países, as experiências pregressas e as luzes que se lançam em busca das saídas.

 

As aulas não são todas no mesmo horário. Há uma grade, mas há espaços que a primeira vista parecem em branco. Mas são preenchidos pelas inúmeras atividades que são passadas. Muita pesquisa, reunião, ação em grupo. Tive dois domingos inteiros de aula (notaram que diminuiu a frequência de posts?). Os professores não trazem tudo mastigadinho para ser entregue. Há estímulo a essa busca. A informação é assimétrica, assim como no mundo real.

 

Há um portal na internet onde são trocados emails e entregue tarefas, trabalhos. Há um software que identifica na hora o percentual de plágio em um texto (chama-se Turnitin). Ao submeter o texto, ensaio,paper, você clica em uma caixa em que afirma ser seu trabalho original. Se não for, na hora ele identifica. Claro e bom que se tenha citações que são consideradas. Mas a originalidade é avaliada. De forma “científica”. Depois, vem a nota do professor.

 

Interessante que esse portal é complementado na informalidade pelas páginas do Facebook da escola, do curso, e o dos alunos. Que avisam e lembram das tarefas, para quem não checa o tempo todo o site. Os professores podem, e passam, tarefas pelo site. Mesmo depois da aula ter acabado. E com prazo. Lembro da postagem de um colega no Facebook (“Sinto acabar com o sábado de vocês, mas estão se lembrando que temos que entregar isso a e aquilo,  e ter lido isso e aquilo para  a aula de segunda”)? Essa eu não me lembrava. Mas deu tempo.

 

Na aula, fala-se muito. O professor tem o domínio, mas pede insights, complementos. Quem já viu a “Sociedade dos Poetas Mortos”? É mais ou menos aquele estilo de aula participativa. No início, falam mais os de língua nativa (menos desinibidos) e os que são falantes por natureza. Com pouco tempo, todos falarão mais. O grupo é excepcionalmente bom. Me impressionou.

 

Trabalhar em grupo multinacional tem sido outro grande aprendizado. Descobri por que tem tantos indianos aqui (No Vale do Silício, aqui perto então). Eles são muito bons, competentes. Impressionam. A troca de experiências culturais e organizacionais tem se mostrado rica. Única, irritante às vezes. Mas compensadora.

 

Outra coisa boa é a quantidade de links e contatos que nos passam. Há coisa interessante de sobra para ler e conhecer no tempo de intervalo. Mas isso é assunto para outro post.

 

A Diversidade

No post anterior, já havia mencionado essa diversidade.  Não que tenha me surpreendido, pois de certa forma já esperava. Mas a energia de ver isso ao vivo  impressiona.

 

Eles fazem diversos testes psicológicos ou psicotécnicos conosco. Aliás, exigem que os façamos antes, para já chagar nas aulas com os resultados. São certificados e tudo o mais. No decorrer do tempo, eles explicam para que servem  e nos ajudam a refletir sobre seus resultados.

 

Um deles que fiz antes foi o “Cultural Assessment”, onde são expostas diversas situações hipotéticas de trabalho para você marcar sua possível reação. Na aula que tratou sobre isso, ele explicou. Falou das médias de alguns perfis de países (pelos resultados de pessoas de lá). Há grandes padrões, sendo os extremos de um triângulo o latino, o asiático e o alemão. Claro que há milhares de nuances entre os tres tipos, para os quais dão características. Eu fiquei entre o latino e o germânico, pelas respostas. Mas ele pediu para nos reunirmos no grupo em que mais se aproximava dos resultados. E sem sabermos, fotografou. Os padrões do grupo mais multi-ativo (latino) era um, o dos lineares-ativos, outro, e dos lineares reativos, ainda diferente. Não quer dizer que no grupo dos latinos só tivesse latinos. Tinha sim, mas tinha alemães, brasileiros e até chineses. Assim como nos outros. Foi um interessante experiência vivenciar isso. Aqui o meu resultado:

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Ainda nesse escopo, em uma das aulas eles nos pediam para explicar o porque de estarmos ali. Dentre os muitos depoimentos interessantes, destaco o de um ex-militar da força aérea dos EUA, que disse: “para fazer algo que seja válido” (something that matters), e o  de um colega chinês que emocionou a todos com sua história, de que viveu num sistema educacional absurdamente competitivo, em quem todo dia o professor colocava na lousa os melhores E OS PIORES alunos do dia (ou da semana) e os fazia sentirem-se por um lado estimulados a competir, por outro lado, inferiores, humilhados. BEm vindos à China, pensei. E que buscava ali subsídios para mudar o sistema educacional chinês. O curso é oMestrado em Empreendedorismo Social. Todos querem mudar o mundo. Cada um, à sua maneira.

 

Outro caso que me chamou a atenção foi o de um colega Sírio, muçulmano. Jovem, gente boa, casado. Ele me procurou para contar um choque cultural que teve ao apresentar sua esposa, jovem também, que o estava acompanhando em um dos eventos da escola, a um colega latino. E este, muito solícito, ao ser apresentado, pegou a mão dela e beijou, de forma cortês. O colega disse que em seu país somente o marido beija a esposa em qualquer situação. E que aquilo tinha feito cair a ficha dele que realmente estava fora de sua zona de conforto.

 

Como me disse o colega americano da força aérea:”esse vai ser um ano interessante, rico”. Vai. Já tá sendo.

Hult International Business School

OPA! Esse é o primeiro post em 15 dias. Mas na realidade estava já escrito e demoramos a postar por que havia um problema técnico no Blog e demorou esse tempo todo para resolver. Aqui vai…

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Finalmente chegou o primeiro dia de aula. Parecido com os primeiros dias de aula de qualquer lugar. A escola bem organizada.  Ninguém se conhece. E todos tem expectativa e certeza de que vão se conhecer e que dali nascerão amizades, projetos futuros e sabe Deus o que mais.

 

Porém aqui havia algo de diferente. Primeiro, o ambiente. Sempre o ambiente de um primeiro dia de aula é ao mesmo tempo familiar e estranho para todos. Mas o algo mais daqui  era o carater internacional ao extremo. Origens, raças, credos diferentes. Aparentemente, em todos, o mesmo desejo de se integrar.

 

Na abertura, só explicações sobre como será o ano. Como foi o passado. Onde estão alguns ex-alunos. Reforço na excelência acadêmica. Tranquilização na comparação com os nativos, de que a língua oficial da escola é o “inglês com sotaque” (achei ótimo isso). Apresentação da cidade. Do que é, do que representa San Francisco. Com ênfase na receptividade ao estrangeiro, à disponibilidade de tudo, ao networking – que consideram fundamental. Força também no mercado de trabalho, nas oportunidades, no apoio que a Escola dá ao conceito de imigração.

 

No almoço, para sentir um gosto da cidade, um vale para aproveitarmos os food-trucks, caminhões de comidas étnicas que existem na cidade (há até guias gastronômicos e críticas só para eles). Tinha em frente à Hult, nesse dia um caminhão de comida peruana, um de vietnamita e um de argentina. Embora estivesse curioso, fui prático. O argentino tinha fila menor e fui nele.

 

Após, nos organizamos em grupo e foi feita uma gincana, extremamente bem pensada não só para nos conhecermos e integrarmos em grupos, mas também para interagir com a cidade e os arredores da escola. Tivemos que ir a diversos pontos interessantes (parque da America`s Cup de Iatismo, Exploratorium, Union Square, ao bar mais antigo da cidade, encontrar ex-alunos etc). Vi ali praticidade e inteligência condensadas, o que me causou boa impressão. O meu grupo, de seis pessoas tinha, além de mim, brasileiro, dois colombianos, uma kuwaitiana, uma indiana e um suíço.

 

Na volta da gincana (que incluía postar fotos das tarefas no twitter), uma festa de recepção, onde estavam o reitor e diretores. Muito bons os discursos e uma espécie de saudação a cada país com aluno presente na escola, nas turmas daquele ano. O país era mencionado, os nativos se levantavem e eram aplaudidos. Seria bom para eu ver os demais brasileiros. Na minha turma tinha eu e mais um. Nas demais, eu não sabia. O bom foi ver também ele dizer que ali tinha gente de 93 países. Mais países que na fundação da ONU – que,por acaso, também foi em San Francisco e contou com 88 países.

 

Me sentei ao lado de uma taiwanesa, com quem conversei um pouco, e na hora que o reitor chamou “China” eu disse: “stand (se levanta!)” só para ouvir a reação. Que, claro, não foi boa: I am NOT from China. NUma boa. Rimos…

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China e Índia representam a maioria dos alunos. Seguidos dos Estados Unidos. Uma proporção boa. Da  Síria ao Quirguistão, da Nicarágua ao Benin, há gente representada aqui. Um negócio bonito de se ver. A expectativa sobre o resultado dessa mistura é grande. Vai ser bom equalizar as diferenças e traballhar em ambiente tão diversificado. E organizado.

Cenas do Cotidiano (Dani)

Queridos amigos,

Ontem fiz um jantarzinho brasileiro…arroz branco, feijao preto, bife acebolado, ovo frito e farofa….
Ai que delicia…tods comeram que se lambuzaram…que saudade boa!
Com a globalizacao, podemos achar quase todos os ingredientes brasileiros aqui em SF…Pela  internet descobri dois mercadinhos mais ou menos perto daqui…Um mercadinho brasileiro ( com uma bandeira enorme do Brasil na parede) onde comprei farinha, sal ( o sal aqui eh horrivel, nao salga…nao tem iodo), maizena, farinha de milho para cuscuz ( soh ao chegar em casa me lembrei que nao tenho cuscuzeira…alguem sabe como fazer cuscuz sem cuscuzeira?) e tempero completo Lord…O preco nao eh muito amigavel, mas da para quebrar o galho…
Lah tambem havia cafe pilao, pao de queijo, bombons seranata de amor e bis, polenta e o maravilhoso guarana antartica, alem do desconhecido guarana Brasilia (alguem jah ouviu falar?)….
Lah eh tambem uma pastelaria a noite…vou ver se algum dia vou com o Dudu e as kids para matarmos a saudade de um pastel de carne frito….
Proximo dali, um mercado mexicano..onde achei arroz Tio Joao e feijao preto. Que felicidade!!!! E sabem o que mais achei? Carne seca….para delirio do Dudu pois minha sogra pode preparar sua deliciosa pacoca antes de voltar para o Brasil…
Tambem comprei leite condensado mexicano ( para brigadeiros que eu e Aninha fizemos para um jantar na escola dela…) e Creme de leite (table milk) para um estrogonoff dia desses…o whipped cream nao eh a mesma coisa(jah testei!)
Ha varios restaurantes brasileiros em SF e nas cidades vizinhas…sao muito populares por aqui…comida farta e bom tempero eh o que dizem todas as resenhas que li…
Ha os de comida caseira, as churrascarias e ate as lanchonetes…coxinha a 3 dolares e o cento de coxinhas por 70 dolares…ui, acho que vou querer uma receita para treinar em casa!!!!
Proximo daqui de casa tem uma churrascaria…a Cleo’s Steak house…ainda nao tivemos oportunidade de ir…eh o classico rodizio brasileiro…estou esperando a saudade da picanha ficar insurpotavel para irmos…kkkk
Me lembro na epoca que morei na Australia como estudante de intercambio ( mil novecentos e me esqueci…)
que algo assim seria impensavel…e minha mae me perguntou o que eu queria comer depois de um ano inteirinho… logico que pedi uma deliciosa farofa com bife e tomate que a Lurdinha prepara como ninguem…yumm…Inesquecivel!!!!
Hoje, podemos matar as saudades mas facilmente…o mundo esta literalmente menor e mais conectado…
E assim eu me sinto um pouco mais perto da terrinha….
Agora, rede eu ainda nao achei por aqui…nem poderia pois nao tem armador….Mas que eu to com saudade da minha redinha….ah, isso to demais!!!!
beijos saudosos
Dani

Biblioteca de San Bruno

(demorei a postar – desculpe Daniel  🙂 ). Começaram minhas aulas e teve até no domingo. Tempo livre se foi. Mas vai normalizar. Esse post é da Dani. Um email que ela fez).

 

Hoje fomos visitar a Biblioteca de San Bruno (cidadezinha onde moramos ) para renovarmos os livros que a Aninha esta lendo na escola

A biblioteca é um sonho…podemos pegar emprestado 50 livros de uma vez, mais 15 dvds. O prazo eh de 3 semanas. Tudo gratis, basta se cadastrar ( identidade e comprovante de endereco). vc tb pode cadastrar seu e-mail e fica rebendo resenhas de livros…vc pode alugar livros da sua biblioteca e das cidades pertencentes ao San Mateo County, condado que engloba varias cidadezinhas na regiao onde moramos. Vc pode ter acesso ao arquivo online, pode ler uma parte do livro online, enfim..muitas possibilidades..
A biblioteca tambem tem contacao de historias…em ingles e espanhol…alias espanhol eh tao falado quanto ingles aqui na California. Toda segunda a noite tem contacao de historia para criancas de pijamas…jah voltam para casa dormindo prontas para ir para cama…kkk…quando a Aninha estiver entendendo ingles melhor, vou leva-la.
A oferta de livros eh muito grande, tanto adulto como infantil…a Aninha parecia estar numa loja de brinquedos…
A escola exige meia hora de leitura diaria de segunda  a sexta na faixa etaria dela para incentivar futuros leitores. Recebi uma lista de 100 livros para comecar…kkkk…e depois desses 100 a escola pode recomendar mais…
Já está virando um habito super saudavel aqui em casa a hora da leitura…inicialmente estou lendo para ela, mas ja estou introduzindo pequenas frases no meio das historias para ela ler por ela mesma em ingles…em portugues ela jah saberia ler…ainda estamos engatinhando no ingles, mas jah jah chegamos lah..
Para mim que sempre fui uma leitora avida, estou no ceu….ver o rostinho brilhando, me pedindo para ler, ansiosa por estes  momentos…e claro, que para os livros que ela gosta mais, lemos repetidas vezes…a ponto dela decorar algumas historias…
E hoje até livros de culinaria ela pegou emprestado…ela adora cozinhar e hoje ja fez sanduiches de requeijao com geleia de uva..e depois os cortou em formatos divertidos ( estrela, ursinho, etc)…eu tinha comprado antes uams forminhas de cortar massa de biscoitos…ficou uma delicia…
Aqui vai o link da biblioteca para quem tiver interesse
Daniela Gaspar

Pais e Mestres

Captura de Tela 2013-09-10 às 14.36.12Já falei aqui do apelo ao envolvimento dos pais na escola. É grande. São muitos eventos. Chamadas para se voluntariar, se engajar, ajudar. A professora da Aninha tem um blog par os pais dos alunos da turma dela. Nos pediu autorização o formal para postar fotos dela, assim como dos demais alunos, no blog.

 

Eles chama os pais para serem voluntários no início, antes e depois da aula. E estes fazem uma agenda de compromissos. Para ajudar nos esportes, na música, enfim, em qualquer atividade que queiram se envolver. Há atividades paralelas de integração (não fomos ainda), que até colocam em cheque alguns estereótipos que tenho sobre a frieza e não envolvimento deles com os outros.

 

Acho bom. Nós que vimos do Canarinho e Sapiens, colégios em Fortaleza que pedem bastante participação dos pais, estávamos de certa forma acostumados, mas aqui é bem mais. Ou pelos menos, parece. Esta é á primeira impressão.

 

Ainda sobre a escola, Leonardo chegou atrasado na aula de educação física. Levou um “cagaço” do professor (Sr. Wata, um japonês invocado), que nunca mais se atrasou. E ainda teve que correr a quadra várias vezes. Ainda está um pouco desacostumado com a rotina de aula, armário-aula, armário-almoço. É tanto livro nesse armário com cadeado e segredo que dá para ficar assim mesmo. Mas o bom é que o senso de responsabilidade vai aumentando. Tenho percebido isso.

 

A professora da Aninha, na última aula, até aprendeu umas palavras em português para se aproximar dela. Ela me contou. Gostei da atitude.

 

O apelo ao consumo

Já se conhece, já se espera, já muito se falou sobre isso. Mas não deixa de chamar a atenção a imensa quantidade de estímulos ao consumo que se vê por aqui. Ao vivo e on line, para se consumir. Carros, mesmo novos, são anunciados pelas prestações, parecendo não pesar no orçamento. Estando aqui, na internet, os sistemas identificam que estamos nos EUA, e uma imensa quantidade de propaganda vem, mesmo pelo Facebook. Numa loja, quase automaticamente se fazem cadastros, e eles dão descontos bons para quem faz. Uma vez feito, pronto: Vem muita propaganda, ofertas “incríveis”, descontos impensáveis e reais.

 

É preciso um exercício de renúncia para não se submeter a isso. Pelo correio, vem muitas ofertas. No jornal, cupons. Há livrinhos de cupons à venda. E os descontos são reais. E quando se diz que é até tal dia, é mesmo. E esses cupons nos “empurram” para dentro dos estabelecimentos. Onde se recebe mais e mais estímulo.

 

Isso dá uma sensação de descartabilidade de todos os bens materiais (de fato, são mesmo). Mas isso chega a um extremo. Aqui pessoas, não só empresas, podem pedir falência. E por causa do grande estímulo às compras por impulso, tudo você pode devolver sem constrangimento. Eles nada perguntam e restituem na hora. De certa forma, isso acaba estimulando mais ainda as compras. Há inteligência por trás dessa estratégia.

 

E eles, justiça se faça, são bons vendedores. Na abordagem, no conhecimento técnico dos produtos. Poucas exceções vi. Como a lógica é o consumo, tudo gira em torno disso e é tecnicamente pensado para isso. Numa loja de colchões, tivemos uma “aula” como nunca vi, sobre todos os modelos, tipos, maciez, etc. O cara lembrava o Bubba falando sobre camarões (no filme Forrest Gump). Isso nos deu base para escolher os nossos em outra loja. E valeu. Para comprar carros, outras abordagens inteligentes.

 

Resistir é preciso. E fundamental. É impossível ser feliz com dívidas. E isso não é sustentável. Pelo menos é o que eu acho..

Captura de Tela 2013-09-14 às 15.08.31 Captura de Tela 2013-09-14 às 15.09.00 Captura de Tela 2013-09-14 às 15.09.19

O Lixo do Condomínio

IMG_2476 IMG_9068 IMG_9148 IMG_9164 IMG_9285 IMG_9336 IMG_9337 IMG_9398 IMG_9426 IMG_9427 IMG_9429 IMG_9430Uma das coisas que tem se tornado interessantes aqui é a obrigatória passagem que fazemos sempre no lixo do condomínio. Como são muitos apartamentos por andar, cada andar tem uma “sala” de lixo, com espaços separados para orgânicos, recicláveis, caixas de papelão e outros. O bom é que quase sempre que vamos lá (e para ir à garagem ou pegar o elevador, temos que passar), tem coisas interessantes que o pessoal simplesmente deixa no lixo. E quem quiser, pega.

 

Compreensível com a abundância de bens materiais, as grandes distâncias, a pouca disponibilidade de tempo e a facilidade (e estímulo) para se comprar coisas novas.

 

Logo no dia da mudança vimos dois banquinhos legais para bancada de cozinha. Pegamos. Depois, vimos um impressora, um micro ondas, um teclado sem fio Microsoft zero na caixa, colchões, um espelho, dois gaveteiros para roupas, muitos DVDs e CDs, cabos de áudio e vídeo, um abajur estilo poste, uma churrasqueira a gás, uma TV, cabides, um casaco bonito da Polo Ralph Lauren, e contando…

 

Até uma coisa que parecia um laser pointer, mas que fazia um barulhinho estranho. Depois descobrir que era um cigarro eletrônico (muito prazer, nunca tinha nem visto.). Esse voltou para o lixo

 

Desses, pegamos muitos (os colchões foram vetados pela Dani). E sempre passamos por lá para ver as novidades. Na rua também já vimos sofás, mas um sofá não cabe na sala de lixo aqui, apesar dela ser bem grande.

 

Breve atualizaremos com as “lixo News”.